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Na manhã do dia seguinte.
Beatriz acordou cedo, checou a agenda de trabalho do dia e se arrumou rápido, indo direto para o Cartório de Registro Civil.
Ela não admitiria nenhum erro nos trâmites do divórcio.
Quando chegou, eram exatamente nove da manhã, e o Cartório de Registro Civil tinha acabado de abrir.
Arthur ainda não tinha chegado, e o horário que tinham combinado era o mais cedo disponível.
Ela tinha acabado de se sentar há poucos minutos, quando um Cayenne preto parou lentamente na porta.
A porta se abriu e o homem desceu a passos lentos.
Também havia alguns casais na entrada para resolver trâmites, a maioria com rostos cheios de briga, cansaço e ressentimento.
Apenas Beatriz e Arthur mantinham feições indiferentes e calmas, como dois estranhos sem qualquer conexão.
Arthur olhou para ela, com tom neutro: — Chegou faz tempo?
— Acabei de chegar.
Beatriz olhou para a mão direita dele enfaixada e perguntou baixo: — Assinar com a mão esquerda não vai atrapalhar?
O olhar de Arthur varreu os olhos dela de leve: — O que você acha?
Beatriz já sabia a resposta.
Já que ele pôde ir pessoalmente, indicava que os machucados não eram problema e que nada atrasaria o processo.
— Vamos entrar então.
Os dois entraram no saguão lado a lado, levando os documentos até o guichê de registro de divórcio.
O funcionário checou os materiais um por um, num processo rápido e sem problemas, para então entregar o Acordo de Divórcio.
O funcionário falou com profissionalismo: — Confirmando que ambas as partes querem o divórcio por vontade própria, se não há objeções, é só assinar direto.
O cheiro do homem estava próximo e a temperatura do corpo vinha pelo ar, deixando-a desconfortável de alguma forma.
Arthur estava com o olhar sereno, pegou a caneta com a mão esquerda e abaixou a cabeça para escrever.
Mesmo com a mão esquerda, a letra continuava solta e limpa, os traços precisos.
Com a assinatura feita, Beatriz tirou a mão na mesma hora, se afastando sem chamar a atenção.
Arthur a olhou de soslaio, mas não disse nada.
O funcionário terminou de checar, confirmou as assinaturas de ambos e pegou o certificado de divórcio para colocar o selo.
O olhar de Beatriz fixou naquele selo. Ouvir aquele barulho claro era como se batesse forte no seu coração.
O peso que esteve sobre o coração por tanto tempo enfim desapareceu —
O funcionário entregou os dois certificados de divórcio pela janela: — Procedimentos finalizados, a vocês dois.
Quando a ponta dos dedos tocou o certificado de divórcio, Beatriz sentiu que aquilo era muito pesado.

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