Ela expôs a sua suspeita.
— Gabriel, mande rebocarem o carro e façam uma inspeção completa no sistema de freios, para ver se não foi falha proposital.
Gabriel, ainda assustado, fez muitas recomendações antes de ir providenciar.
Ele também precisava admitir que Arthur realmente estava disposto a arriscar tudo por Helena.
Beatriz desligou o telefone e encarou Arthur em silêncio.
Ele estava sangrando, e seu rosto ficava cada vez mais pálido.
O rosto dela estava inexpressivo.
A ambulância e Gabriel chegaram bem rápido.
Gabriel logo a examinou de cima a baixo, verificando que não havia machucados visíveis, mas continuava tenso: — Melhor ir ao hospital fazer exames, só para descartar qualquer risco de lesão interna.
— Eu estou bem de verdade. — Beatriz falou baixo, com os olhos fixos na poça de sangue no chão.
Pelo visto, o ferimento não tinha sido leve.
Ele agiu duas vezes, nas duas foi para proteger Helena, e nas duas machucou a mão direita.
Quanta devoção, afinal.
Ela desviou o olhar e não pensou mais naquilo.
O carro foi rebocado para inspeção, e a polícia de trânsito também interveio para registrar o acidente, com Arthur precisando comparecer mais tarde para cooperar.
Até voltar para casa, o coração de Beatriz ainda batia disparado, demorando muito para se acalmar.
— Pare de pensar tanto nisso. — Gabriel tentou reconfortar gentilmente. — Provavelmente foi só uma falha repentina do carro.
— Hum. — Beatriz respondeu em voz baixa, restando apenas se consolar com isso.
-
No dia seguinte.
A polícia de trânsito entrou em contato com Beatriz, informando que ambas as partes precisavam comparecer para fazer o boletim de ocorrência e emitir o laudo de responsabilidade.
Como a locomoção de Arthur estava limitada e ele não podia ir à delegacia de trânsito, ela teria que ir ao hospital para colaborar com o processo.
Chegando à parte de baixo do hospital, Beatriz passou por uma loja de frutas e hesitou por um momento, mas acabou comprando uma cesta de frutas.
Chegando à porta do quarto, ela bateu.
Quem abriu a porta foi Helena.
No instante em que viu Beatriz, o olhar de Helena ficou coberto por uma camada de frieza e seu tom soou hostil: — Você ainda tem coragem de vir? Sua praga.
— Fui eu quem mandou a Helena entrar no seu carro, a segurança dela é de minha responsabilidade.
— Salvar as pessoas foi de vontade própria, mas arcarei integralmente com os danos do seu veículo. — Arthur ergueu levemente a sobrancelha, com tom de negócios. — Te dou um carro novo do mesmo modelo, o que acha?
Ele sempre separava o pessoal do profissional.
Naquele momento, o agradecimento que Beatriz tinha na ponta da língua foi engolido em silêncio.
Ela era, de certa forma, beneficiária do resgate e deveria agradecer, mas a atitude do outro já deixava tudo bem claro.
Quem ele salvou, do início ao fim, foi Helena, e não tinha nada a ver com ela.
O resto era só uma compensação de negócios.
Chegando a esse ponto, recusar pareceria até frescura.
Beatriz ficou calada por um tempo e olhou para o braço enfaixado dele, perguntando de repente: — Machucou só a mão direita? O que o médico disse?
Arthur respondeu com frieza: — Hum, nada grave, leve fissura no osso.
Ainda bem, não atingiu nada fundamental.
Beatriz assentiu levemente, olhou para ele e disse em um tom calmo: — O prazo de um mês acaba amanhã. Então nos vemos de manhã no Cartório de Registro Civil. Esse machucado não deve atrapalhar os procedimentos, certo?
Ela só tinha ido lá hoje por causa disso.

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