— No final das contas, é apenas um conflito entre crianças. O melhor é fazer um acordo.
Na cabeça de todos, Beatriz Nogueira estava sozinha. Por mais que se sentisse injustiçada, ela teria que recuar.
Por outro lado, Arthur Valente tinha capital e contatos. Se ele insistisse, a escola cederia.
O professor suspirou e fechou a porta, deixando os dois sozinhos.
O espaço fechado ficou com o som da respiração dos dois.
Arthur Valente tirou os olhos das telas, pulou o certo e o errado, e foi direto ao ponto. Sua voz era indiferente e imperiosa: — Fale de compensação.
— Quanto você quer? Num limite razoável, eu posso pagar.
Ele usou o dinheiro do começo ao fim para apagar tudo, com sua atitude superior.
Como se o bullying sumisse com o dinheiro suficiente.
Beatriz o olhou: — Arthur, como você pode proteger os outros assim?
Ao ouvir isso, Arthur Valente sorriu de forma indiferente: — Você acha que eu vou destruir o futuro do Hugo por alguém insignificante e deixá-lo ser advertido ou expulso?
Essa frase destruiu as ilusões.
Beatriz Nogueira entendeu que, no mundo dele, não tinha espaço para ela.
Valentina Souza não era nada, sem relação com ele.
O casamento não foi desejado por ele. O coração dele pertencia a Helena Nogueira. O casamento forçado virou ressentimento.
Por isso, ele odiava o passado, odiava ela e era frio com a inocente Val.
Ele mimava Helena e preferia Hugo Valente, entregando sua proteção a Helena.
Beatriz apertou a voz e falou devagar: — Eu não aceito dinheiro.
— Eu só quero justiça.
— O Hugo quebrou as regras e fez bullying. Ele deve receber uma advertência e a escola toda precisa saber. Esse é o preço que ele tem que pagar.
Os olhos de Arthur Valente a fixaram com força.
— O Hugo é novo, já pediu desculpas, não precisa ir até o fim.
Sua voz continuava controlada: — Se você não quer recuar e fazer um acordo, eu tenho meios de fazer a Valentina mudar de escola.
As palavras frias entraram no ouvido de Beatriz Nogueira.
Arthur Valente virou, olhou para Valentina que aguardava na porta e amansou a voz:
— Val, conta para o cunhado. Você pode perdoar o erro do Hugo desta vez?
Ele contornou os adultos e transferiu a pressão para a vítima.
Deixando uma criança escolher perdoar, usando a bondade dela para forçar as irmãs a cederem.
Beatriz virou para a irmã: — Val, não se sinta pressionada, responda o que quiser.
Val abaixou a cabeça, as mãos apertaram a barra da roupa e os ombros enrijeceram.
A garota entendeu os confrontos dos adultos na sua frente.
Ela sabia do dilema da irmã, do poder de Arthur Valente, e sabia que, se não cedesse, quem sofreria seria Beatriz.
A irmã ficava doente e trabalhava duro na Seraphina Biotech durante o dia.
Ficar até tarde era rotina. Beatriz se esforçava para cuidar dela.
Ela não queria colocar mais pressão na irmã por causa do seu próprio problema.
Depois de muito tempo, Val levantou os olhos: — Eu posso perdoar.

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