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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 126

O peito de Beatriz apertou subitamente.

Em um ato quase reflexivo, ela esticou a mão e puxou com força o relatório médico, apertando-o na mão a ponto de amassar as bordas do papel.

O texto denso naquelas folhas continha os registros de seu câncer em estágio avançado e das sessões de quimioterapia. Era a vulnerabilidade e a situação lamentável que ela não queria que ninguém descobrisse.

E muito menos aquele homem diante dela, que nunca havia se importado de verdade com a vida dela, poderia ver.

Ela ergueu o olhar para encarar Arthur. Com o rosto ainda pálido, disse: — Isso não tem nada a ver com você.

Arthur observou a expressão rígida demais dela, e um leve brilho passou pelos seus olhos. Parecia que ainda queria dizer alguma coisa. Seu olhar se deteve no rosto pálido e nas pontas dos dedos ligeiramente trêmulos dela, mas no fim, ele decidiu não fazer mais perguntas.

Aparentemente, ele não se importava com qual doença ela tinha, nem o motivo de ter ido sozinha ao hospital, limitando-se a desviar o olhar.

O seu tom de voz retornou à costumeira indiferença: — A avó organizou um passeio de primavera amanhã para a família toda e fez questão de mencionar você. Acorde cedo amanhã, nós vamos buscá-la juntos.

Ao ouvir isso, Beatriz achou tudo absurdo e ridículo.

Ainda há pouco ele se mostrava indiferente em relação ao estado de saúde dela, e agora usava a avó como pretexto para exigir que ela o acompanhasse publicamente como casal.

Ela apertou lentamente a mão ao lado do corpo, segurando a amargura que brotava no peito, e rebateu friamente: — Por que não pede para Helena te acompanhar? Não é ela a que melhor sabe agradar os mais velhos?

Assim que essa frase saiu, o ar ficou um pouco tenso.

Arthur ergueu os olhos rapidamente, fixando nela um olhar denso e sombrio.

— Com que status ela iria?

Beatriz o encarou, estática, e por um momento até esqueceu de respirar.

Ele também conhecia a palavra status.

Ele também sabia que só ela era, de forma legal e oficial, a Sra. Valente.

Mas, no dia a dia, ele levava Helena para todos os lugares. Usavam o título de "amigos" enquanto mantinham uma intimidade real. Ele permitia que ela entrasse em casa, ocupasse o espaço que lhe pertencia, apagasse os seus vestígios e nunca considerou a sua dignidade ou a sua posição.

E agora que precisava de uma Sra. Valente oficial ao lado para agradar os mais velhos, ele lembrava do status dela.

O ambiente acolhedor da cozinha era o único lugar naquela casa enorme onde ela conseguia sentir um pingo de calor.

Ela ficou ali, quieta ao lado do fogão, esperando o mingau ficar pronto devagar. Esqueceu temporariamente das pessoas e dos problemas ruins, aproveitando apenas aquele momento de paz.

Assim que serviu o mingau na mesa, o celular, que estava no corredor, tocou.

Era do hospital, uma ligação de rotina para confirmar o horário e os cuidados da próxima sessão de quimioterapia.

Com medo de que Arthur a escutasse, Beatriz caminhou a passos rápidos até a varanda, baixou a voz e respondeu tudo com cuidado. A ligação inteira durou mais de dez minutos.

Quando desligou, ela se virou e voltou para a sala de jantar. A cena à sua frente a paralisou na mesma hora.

Arthur estava sentado na mesa, comendo o mingau que ela preparou, sem a menor pressa.

Beatriz pensou: "?"

Ela olhou incrédula para ele, e por um instante não conseguiu reagir.

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