O outro era um bom amigo com quem eu tive embates e sintonia profissional, e que me ajudou pacientemente várias vezes.
Ambos eram bons amigos, os dois eram importantes para mim, mas por acaso eram inimigos e brigavam toda vez que se encontravam.
Não importava quem eu escolhesse, o outro ficaria triste. Naquele momento, encarando aqueles dois olhares ardentes e focados, senti que aquela era a escolha mais difícil que eu já tive que fazer na vida.
Por um instante, eu não soube como lidar com a situação e só pude levantar a cabeça para olhar a quarta pessoa presente, sentada atrás da mesa.
No consultório, o Dr. Renato já tinha entendido a situação, mas fingiu não ver meu olhar de socorro. Ele imediatamente pegou um livro no canto da mesa e o colocou na frente do rosto, fingindo estar concentrado na leitura e não ter visto mais nada.
Apertei os lábios. Esquece. Não vou colocar o Dr. Renato em uma situação complicada.
Para ele, um era colega de hospital e o outro também. Ajudar qualquer um dos dois ofenderia o outro. Além disso, o assunto não tinha nada a ver com ele, não havia necessidade de ele se envolver. Era melhor deixar que eu mesma resolvesse.
Apertei os lábios, respirei fundo e então falei baixinho: — Dr. Neves, Dr. Moreira, não briguem. Que tal assim? Vocês me esperam aqui, eu vou fazer o exame sozinha e volto assim que terminar.
Na impossibilidade de escolher qualquer um dos dois, a única solução era não escolher nenhum.
Mal acabei de falar, senti os dois meus pulsos sendo segurados com força, e os dois me puxaram ao mesmo tempo.
Duas vozes disseram em uníssono: — Não!
Dante e Gabriel, um de cada lado, seguraram minhas mãos ao mesmo tempo, nenhum dos dois disposto a me deixar ir.
A situação ficou ainda mais grave do que antes. Eu estava apenas presa no meio, mas agora estava literalmente sendo puxada pelos dois lados.

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