— Está bem. — Olhei para as costas dele se afastando e senti novamente um calor no coração.
Mas aquela pressão invisível também aumentou.
Gabriel era caloroso e atencioso. Para não me deixar constrangida, ele usava a desculpa de sermos bons amigos para se preocupar comigo e me tratar bem. Mas, na verdade, eu sabia muito bem que não era apenas amizade.
Porém, eu não sabia como recusá-lo. Na verdade, eu já o havia recusado antes, mas a atitude dele agora não me dava motivos para dizer não.
Deixa para lá, vou procurar uma oportunidade para esclarecer as coisas mais tarde.
O trabalho do dia continuou agitado. Ao entardecer, finalmente terminei minhas tarefas, arrumei minhas coisas e saí do trabalho.
No entanto, antes mesmo de eu sair do departamento, os passos de Dante me alcançaram, e sua voz sorridente soou no meu ouvido: — Noemia, o que quer comer hoje à noite?
Não sei se foi o sorriso de Dante ou o fato de os lábios dele terem roçado acidentalmente a minha orelha, mas eu me assustei como se tivesse levado uma queimadura. Pulei para longe por instinto, aumentando a distância entre nós, e olhei para ele em pânico.
Dessa vez, o calor se espalhou da minha orelha até as minhas bochechas.
Dante ficou ali, me olhando com um sorriso, e uma luz suave brilhava no fundo daqueles olhos de raposa.
— Hoje à noite? — Consegui me acalmar um pouco e só então entendi que Dante queria jantar comigo de novo esta noite.
Fiquei um pouco sem graça: — Desculpe, Dr. Moreira, mas acho que não vou poder jantar com você hoje.
— Tem algum compromisso? — Dante ergueu levemente as sobrancelhas.

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