— Trazer o café da manhã? — Dante também ergueu as sobrancelhas, surpreso.
Eu sabia o motivo da surpresa dele. Eu tinha acabado de dizer que já tinha tomado café, e então Gabriel apareceu para me entregar comida.
Fiquei um pouco constrangida e quis explicar.
Mas Gabriel já se adiantou. Enquanto abria a lancheira e arrumava as coisas, ele ergueu as sobrancelhas e lançou outro olhar para Dante: — E pensar que você fez tanto alarde pedindo demissão e vindo para o Hospital Memorial para cortejar a Noemia, mas nem conhece a situação básica dela. Seu estômago é delicado, você precisa tomar um café da manhã direito, senão vai ficar com dor. O lugar onde ela está morando agora não é prático para preparar o café, então ela com certeza está de estômago vazio agora.
Gabriel realmente me conhecia bem. Ele sabia da minha rotina e também sabia que eu sempre ficava sem tempo para o café da manhã.
Mas o olhar e o tom de voz que ele usou ao falar com Dante carregavam desprezo e aversão, soando como uma provocação. Ele e Dante nunca se deram bem, sempre se alfinetavam quando conversavam, e eu temia que fossem brigar ali mesmo.
— E você vai dar isso para ela comer? Os ingredientes das barracas de rua não são bons e nem seguros. Se ela comer, não vai fazer ainda pior para o estômago dela? — Como esperado, Dante franziu a testa, assumindo uma postura de confronto.
O clima ficou tenso em um instante.
Fiquei um pouco nervosa e logo falei: — Não tem problema...

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