Entrar Via

A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 270

Quando o som dos passos infantis desapareceu, Vitório cruzou os braços e encarou Rodolfo com intensidade.

— Agora você vai me dizer o que diabos está acontecendo aqui.

Mas Rodolfo não respondeu.

Em vez disso, olhou fixamente para a escada, uma escadaria imensa em formato de caracol renascentista, totalmente esculpida em madeira nobre, com corrimão entalhado à mão por artesãos italianos.

— Por favor, senhor… — a voz dele soou grave, quase rouca. — Acompanhe-me até a suíte principal.

A tensão no ar aumentou de forma quase palpável.

Vitório franziu o cenho.

— A suíte principal? — sua voz saiu firme, incredulamente baixa. — Por que diabos subiremos até lá? Rodolfo, se há um problema com estrutura, segurança, infiltração, ou mesmo quebra de protocolo, resolvemos no escritório. Não no…

— Não é algo que eu possa descrever, senhor — o mordomo interrompeu, com um tremor súbito nas palavras. — É algo que… preciso mostrar.

Mostrar, não dizer. “Que porra deu nesse velho, hoje?!”

Os instintos de Vitório se acenderam como tochas num quarto escuro. Algo muito sério havia acontecido.

Sem mais questionamentos, ele caminhou lentamente até a base da escadaria, observando cada micro expressão do mordomo. Rodolfo ficou rígido, imóvel, com um semblante que mesclava temor genuíno e respeito absoluto.

Quando começaram a subir, o som dos passos ecoou pelo hall, como marteladas num cofre. Vitório sentia o coração acelerar sem explicação, o tipo de aceleração que o corpo produz antes de um confronto ou uma revelação devastadora.

Chegaram ao terceiro andar.

O corredor principal era amplo, ladeado por obras de arte e fotografias antigas. Quadros raríssimos de coleções privadas, esculturas, relíquias de família, e retratos dos pais dele. Otávio e Isadora, decoravam as paredes como guardiões silenciosos do passado.

Cada centímetro daquela casa carregava a identidade dos dois.

A força do pai, a elegância da mãe. Essa era a base e a história dos Darius.

Vitório sempre sentiu aquele andar como uma espécie de templo particular, o lugar mais íntimo da família. Ali ficava a suíte principal, um espaço intocável desde a morte de Otávio.

Chegando ao fim do corredor oeste, Rodolfo parou diante das portas duplas de madeira maciça. Aquelas portas eram tão características que apenas vê-las já ativavam memórias vívidas.

O cheiro do perfume da mãe, a risada grave do pai, o estalar de páginas quando Otávio lia próximo à lareira. Mas naquele momento…O cheiro ali era diferente.

O ar estava mais frio, mais denso.

O mordomo inclinou-se em reverência, algo que nunca fazia naquele grau.

Vitório percebeu.

— Entre, senhor… — Rodolfo murmurou, a voz estranhamente trêmula.

Vitório respirou fundo e empurrou as portas, a penumbra o envolveu imediatamente.

O quarto era enorme, um verdadeiro aposento real. As cortinas pesadas de veludo azul-marinho estavam parcialmente fechadas, permitindo que apenas frestas de luz atravessassem o ambiente. A lareira apagada exibia troncos intactos. O carpete persa absorvia cada ruído.

O ambiente carregava a força absoluta de Otávio Darius. A madeira escura, o cheiro de charuto caro, lustres antigos, livros de capa dura alinhados com precisão, que eram uma de suas paixões. Objetos de coleções raras de várias etnias adornavam duas prateleiras, que forravam uma parede.

E no centro, a enorme cama com dossel ornamentado.

Vitório sentiu uma onda de choque no estômago.

Havia… uma presença ali.

Uma presença que parecia vibrar, pulsar, se expandir.

Capítulo 249 Miragem 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO