Ela estava sempre bonita, e a admirava por isso. Amélia não era do tipo de mulher ligada a tendências de moda como Sam, ela gostava de discrição, principalmente depois do inferno que passou. Ser uma Rockfeller era um fardo pesado demais para carregar e como isso não bastasse, ela lutou contra um monstro e o preconceito das pessoas que não a aceitavam como parceira de Ícaro.
Mel vestia uma calça azul marinho de alfaiataria, camisa preta e um colete bege que dava ao seu look uma elegância singular. De salto médio, ela nem precisava se esforçar para ser elegante e poderosa.
- Como assim? Isso é possível? – A amiga perguntou, jogando seus lindos cabelos castanhos escuros para trás. Os olhos castanhos esverdeados estavam totalmente concentrados em Lucy. – Vocês fizeram fertilização in vitro ou algo assim?
- Não, nada disso. É um fenômeno raro chamado de superfetação. O que aconteceu foi que ovulei duas vezes no mesmo ciclo, e dois óvulos foram fecundados em períodos diferentes. Por isso, os bebês não têm a mesma idade gestacional. Um está mais desenvolvido e o outro não.
- Meu Deus... Eu nunca ouvi falar de algo assim. – Mel a olhou com um misto de emoção e surpresa. – É como um milagre.
- Sim... isso mesmo. – Lucy envolveu seu ventre. – Esses dois bebezinhos são um presente inesperado dos céus.
- Parabéns, querida. – Mel se levantou e a abraçou forte, seu sorriso feliz se refletia em Lucy. – Vocês merecem essa felicidade, essa família linda que estão construindo. Tanto o Vitório quanto você sofreram muito, e tenho certeza que o amor de vocês por essas crianças só vai concretizar ainda mais essa felicidade.
- Obrigado, Mel. – Lucy segurou as mãos dela.- Obrigada de verdade, por me ouvir quando precisei, por me ajudar a suportar aquela solidão. Você me fez ver que eu precisava pensar nos motivos que faziam o Vitório ficar, e não naqueles papeis do divórcio.
- Os Darius são turrões, especialmente o cabeça dura do Vitório. – ela riu, a abraçando de novo. – Você só precisava de um empurrãozinho para perceber que se ele te quisesse longe de verdade, ele teria se divorciado e sumido há muito tempo. – Mel inspirou fundo, limpando os cantos dos olhos que estavam úmidos. – Bem, precisamos comemorar em grande estilo! Vamos fazer uma festa lá em casa, a Sam vai ter que viajar em breve para visitar o meu tio, e a gente pode fazer antes que ela vá.
- É o que nós queríamos. Mas agora, isso vai ter que esperar. – Lucy disse, com desânimo. Se sentando novamente, ela acompanhou o olhar de Mel, que buscou pelo filho. Não importa onde, mas as mães de verdade estavam sempre atentas aos seus filhos. – Acho que o Ícaro ainda não sabe do que houve ontem a noite.
- Acho que ele não te disse por que não frequenta mais a Masmorra. Na verdade, nenhum deles compareceu naquele lugar. Nomearam um administrador que era um dos sócios mais antigos, e agora nenhum deles compareceu ao clube. – Lucy a olhou, cruzando os braços com uma expressão incisiva no olhar. – Ouça, não é melhor você perguntar para ele antes de saber por mim?
- Você vai me contar tudo o que sabe sobre isso. Porque quando eu arrancar o couro do Vitório, eu quero que ele saiba exatamente o motivo!
- Ok, calma! – Mel pediu, levantando as mãos, em rendição. – Não é nada demais, eu também só soube do clube BDSM depois de já estar comprometida com o Ícaro. Sabe o que é um clube BDSM?
- Não. Mas imagino que tenha algo a ver com as coisas que ele gosta na cama! – respondeu Lucy, mal se reconhecendo por dizer aquelas coisas em alto e bom som. Mas estava com raiva, e com ciúme! – Ele transou com alguém nesse prostíbulo estando casado comigo?!

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