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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 474

Ponto de Vista de Mia

— MEU. DEUS.

Cada palavra é uma frase própria. Sua própria batida dramática.

Me viro.

E lá está ele.

Daniel.

Está congelado no meio da pista. Uma mão pressionada no peito como se tivesse levado um tiro. A outra estendida em minha direção, dedos abertos, como se estivesse tentando parar o trânsito.

— PARA — diz ele. Mais alto agora. — TODO MUNDO PARA. Preciso de UM MOMENTO.

As pessoas estão de fato se virando para olhar. Ele está causando uma cena. Não parece perceber. Ou se importar.

— Daniel…

— NÃO. — Ele levanta a mão. — Não fala. Não se mexe. Deixa eu TE OLHAR.

E olha. Fica parado ali, no meio da pista, e me olha. Os olhos se movendo devagar. Fazendo inventário.

Depois ele GRITA.

De verdade grita. Agudo e encantado e alto demais.

— MANA. — Ele está se movendo em minha direção agora. Não andando. Desfilando. Cada passo deliberado. Performático. Os quadris fazendo algo que sugere coreografia. — Mana, mana, MANA. Esse VESTIDO. Esse VESTIDO.

— É da Sophie…

— Não me IMPORTA de quem é. Me importa que está no SEU corpo e seu corpo está ARRASANDO com ele. — Ele está me circulando agora. Devagar. Avaliando. Como se eu fosse uma escultura numa galeria. — Gira. Gira pra mim. Deixa eu ver as costas.

— Não vou…

— GIRA.

Giro. Não sei por quê. Algo na autoridade da voz dele. A certeza de que não vai aceitar negativa.

— Meu Deus. — A voz dele caiu. Reverente. — Meu DEUS. Tem uma SITUAÇÃO NAS COSTAS acontecendo aqui. Tem uma situação inteira.

— É só um vestido.

— NÃO é só um vestido. — Ele está na minha frente de novo. As mãos nos meus ombros. O rosto perto do meu. — É um EVENTO. É uma DECLARAÇÃO. É você dizendo pro mundo "cheguei e não estou pra brincadeira."

— Não estava tentando dizer nada disso.

— E mesmo assim. E MESMO ASSIM. — Ele solta meus ombros. Dá um passo para trás. Se abana com a mão. — Preciso sentar. Preciso processar. Isso é demais para uma sexta-feira à noite.

— Daniel…

— Também. — Ele aponta para o meu rosto. — A maquiagem. Quem fez isso? Foi a Sophie? Me diz que foi a Sophie porque se você fez isso sozinha, vou ficar muito chateado por você ter escondido esse talento.

— Foi a Sophie.

— Claro que foi. Ela é francesa. Elas têm SEGREDOS lá. — Ele continua me olhando. Aquela intensidade específica que lembro de quatro anos atrás. A sensação de que quando Daniel te olha, ele está realmente olhando. Não através de você. Não além de você. Para você.

— Você também está bem — consigo dizer.

— EU SEI. — Ele dá uma voltinha. Se exibindo. A camisa captura a luz — definitivamente grife, definitivamente cara, definitivamente justa de propósito. — Tenho trabalhado nisso. O brilho foi muito intencional. Muito estratégico.

— Está funcionando.

— Obviamente. — Ele joga o cabelo. Um gesto que não deveria funcionar mas funciona de algum jeito. — Mas chega de falar de mim. Você. Me conta sobre você. Tenho STALKEADO seu Instagram há anos, sabia. Igual um creep de verdade.

— Tem?

— Sim! Esses BEBÊS. — Ele pressiona as duas mãos no coração. — Esses bebês absolutamente deliciosos. Os gêmeos estão TÃO GRANDES agora. E a menina — Madison? — ela é PRECIOSA. Aquela foto dela com o elefante? Morri. Literalmente morri. Precisei de ressuscitação por profissionais da medicina.

— Você é um profissional da medicina.

— Me ressuscitei. É o quanto ela era fofa.

Rio. Não consigo evitar. Algo em Daniel faz o riso parecer fácil. Inevitável.

— E a arquitetura! — Ele ainda está indo. Ainda catalogando. — Os prédios! Os projetos! Você é tipo, uma arquiteta de verdade agora. Uma séria. Com projetos e clientes e… — Ele faz um gesto que sugere importância. — …plantas baixas e tudo mais.

— É assim que a arquitetura funciona em geral.

— Não ENTENDO nada de arquitetura. Entendo de corpos e skincare e quais ângulos de câmera fazem o maxilar aparecer melhor. Arquitetura é um conjunto de habilidades completamente diferente.

— É mesmo.

— Por isso estou IMPRESSIONADO. — Ele pega minha mão. Aperta. — Tipo, genuinamente. Você sempre foi talentosa — dava para perceber, mesmo naquela época — mas agora você está FAZENDO coisas. Coisas reais. Construindo coisas que vão existir depois que a gente morrer. Isso é enorme, Mia. Isso é muito enorme.

— Obrigada.

— De nada. Digo isso com toda sinceridade. — Ele solta a minha mão. Olha em volta. Aquele varejo específico que sugere que está prestes a mudar de assunto. — Espera. Você está AQUI. No MEU clube. No fim de semana de inauguração. Como isso aconteceu?

— Isso é CONTEÚDO. É DIFERENTE.

Ele me leva até uma escada. Passando por um segurança do tamanho aproximado de um veículo pequeno.

— Marcus! — Daniel acena para o segurança. — Ela está comigo. VIP total. O mais VIP. Abre passagem.

Marcus me olha. Depois olha para Daniel. A expressão não muda, mas ele desafia a corda de veludo.

Subimos.

O VIP é mais silencioso. O grave ainda está lá, mas contido. Manejável.

Os móveis são melhores. Couro de verdade. Mesas que não estão grudentas. Iluminação que não faz todo mundo parecer estar tendo uma emergência médica.

Daniel me leva até um booth no canto. A gente se senta. Um de frente para o outro. Distância adequada.

Uma garçonete aparece imediatamente. Jovem. Linda. O tipo de sorriso que sugere que ela sabe exatamente o quanto a gorjeta depende de deixar Daniel satisfeito.

— Senhor, o que posso trazer?

— Uísque pra mim, Sasha. O bom. E para a minha linda amiga aqui… — Ele me olha. — O que você está bebendo?

— Água com gás.

O rosto dele cai.

— Água com gás?

— Sim.

— No MEU clube. No fim de semana de INAUGURAÇÃO. Você está bebendo ÁGUA COM GÁS.

— Não estou bebendo álcool hoje à noite.

— POR QUÊ?

— Porque a última vez que bebi em uma boate, acabei grávida de gêmeos.

Daniel me olha fixamente.

Sasha, a garçonete, me olha fixamente.

O silêncio se estende.

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