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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 461

Ponto de Vista de Mia

O frio atinge imediatamente. Novembro em New York. O tipo de frio que faz o nariz escorrer e os dedos doerem.

Devia ter pego um casaco.

Kyle sai atrás de mim. Usando um suéter. Caxemira provavelmente.

— MAMÃE! — Alexander acena do outro lado do quintal. Está em pé em cima de uma pilha de folhas que chega aos joelhos. — OLHA O TAMANHO!

Ethan ainda está acrescentando à pilha. Metódico. Trazendo braçadas de debaixo do carvalho. Sua abordagem sistemática para a construção de monte de folhas.

Madison está sentada na base da árvore. Ela arrumou folhas em círculo ao redor de si mesma. Um tipo de padrão. Cores alternando.

— Desce aqui! — Alexander grita. — Vem ver!

Desço os degraus da varanda. As meias encarcham imediatamente. A grama está molhada e fria.

Kyle me segue. Os sapatos fazendo sons suaves na madeira. Depois na grama.

— Está gelando — eu digo. Para ninguém em particular.

— Está.

— Deveríamos ter trazido casacos.

— Provavelmente.

— As crianças vão pegar resfriado.

— Estão bem.

Olho para ele de lado. Está observando as crianças. O rosto mais suave do que estava lá dentro.

— MAMÃE! — Alexander está pulando em cima da pilha de folhas. Cada pulo manda folhas voando. — É TÃO MACIO! PARECE UMA CAMA!

— Não quebra o tornozelo! — Chamo de volta.

— Não vou!

Ele pula mais alto.

— Alexander...

— OLHA ISSO!

Ele pula. Pousa com força. Os pés somem nas folhas. Afunda até os joelhos. Depois senta. Depois se deita completamente.

— MAMÃE É INCRÍVEL!

Ethan parou de carregar folhas. Está de pé na borda da pilha. Calculando. Consigo ver no rosto dele. Medindo a altura. A densidade. A integridade estrutural de uma pilha de folhas.

— Não vai aguentar seu peso se você pular da varanda — ele diz a Alexander.

— Não vou pular da varanda.

— Ótimo. Porque a velocidade terminal combinada com sua massa...

— ETHAN. Não vou pular da varanda.

— Estou só dizendo...

— EU SEI o que você está dizendo.

Madison se levantou. Está caminhando em direção à pilha com cuidado. O círculo de folhas abandonado.

— Posso tentar? — ela pergunta. Quieta. Hesitante.

— SIM! — Alexander se senta. Folhas no cabelo. — Vem! É muito divertido!

Ela sobe na pilha devagar. Testando cada passo. Certificando que vai aguentar antes de comprometer o peso.

Alexander agarra a mão dela. A puxa para baixo.

Ela dá um gritinho.

Os dois estão deitados nas folhas agora. Olhando para o céu. Para os galhos pelados acima deles.

— Cheira bem — Madison diz.

— Cheira a terra — Alexander contesta.

— Terra boa.

— Não existe terra boa. Terra é só terra.

— Não é não. Tem terra que cheira melhor do que outra terra.

— Isso é esquisito.

— Você é esquisito.

— Você é mais esquisita.

Estou sorrindo. Não consigo evitar. Observando eles. Ouvindo o nonsense deles.

Kyle também está sorrindo. Consigo ver pelo canto do olho.

— Você devia entrar — ele diz.

— O quê?

— Na pilha de folhas. Você devia entrar.

— Não vou entrar numa pilha de folhas.

— MAMÃE! — Alexander nos ouviu. — Entra! Vem brincar!

— Estou bem aqui, meu bem.

— Mas é TÃO BOM! Você tem que experimentar!

— Talvez depois.

— AGORA! Vem AGORA!

— Alexander...

— Por favor? — Madison acrescenta a voz. Mais suave mas de algum jeito mais eficaz. — Por favor, Mamãe?

Olho para Kyle. — Você fez isso.

— Eu sugeri. Eles estão executando.

— Não vou entrar numa pilha de folhas.

— Sua perda.

Ele caminha em direção à pilha. As pernas longas cobrindo a distância rapidamente.

As crianças o veem chegando. Alexander se senta. O rosto se ilumina.

— Papai! Entra! Vem brincar com a gente!

Kyle não hesita. Só caminha até a borda e senta. Bem nas folhas. As calças caras provavelmente encharcando e sujando e sendo arruinadas.

As crianças imediatamente o atacam. Alexander sobe nas costas dele. Madison agarra o braço. Até Ethan se aproxima.

— Pilha em cima! — Alexander grita.

Eles fazem isso. Os três. Escalando Kyle como se fosse um brinquedo de parquinho.

Ele não os empurra. Não diz para terem cuidado. Só deixa eles engatinharem por cima dele. A risada é real. Funda. O tipo que não ouço faz anos.

— MAMÃE! — Alexander grita de novo. — PEGAMOS KYLE! AGORA PRECISAMOS DE VOCÊ!

— Estou bem aqui!

— NÃO! Precisamos de TODO MUNDO!

— Vou ficar aqui supervisionando!

— Que chato!

— Alguém tem que ser chato!

Kyle conseguiu se sentar apesar de três crianças penduradas nele. Me olha de através do quintal. Aquele desafio nos olhos de novo.

— Ela está com medo — ele diz às crianças. Alto o suficiente para eu ouvir.

— Não estou com medo.

— Ela definitivamente está com medo.

A risada dele para. Ele também cuspisce.

As crianças gritam de alegria.

— MAMÃE LUTA DE VOLTA! — Alexander berra.

Luto. Pego mais folhas. Jogo nelas. Nas crianças. Em qualquer um que esteja ao alcance.

Kyle solta minha cintura. Não para me largar. Para lutar de volta.

Ele pega um punhado enorme de folhas. Despeja na minha cabeça.

Eu grito. De verdade grito. Como se fosse uma das crianças.

— É assim então! — Pego mais folhas. Punhados maiores. Jogo no rosto dele.

Ele agarra meus pulsos. A gente luta. Os dois rindo agora. Os dois cobertos de folhas.

As crianças estão jogando folhas nos dois. Umas nas outras. No cachorro que apareceu de algum lugar e está latindo animado.

É caos. Caos completo.

Kyle consegue prender os dois pulsos com uma mão. Usa a livre para pegar mais folhas.

— Nem pensa nisso — eu aviso.

— Pensar no quê?

Ele despeja pelas costas da minha camiseta.

Eu grito. As folhas estão frias e molhadas e ásperas.

— KYLE!

Ele está rindo forte demais para responder.

Arranco uma mão. Enfio folhas no rosto dele. No cabelo. Pelo colarinho.

Ele solta o outro pulso. As duas mãos indo para o colarinho para parar as folhas.

Aproveito a vantagem. Empurro ele para trás. Ele cai nas folhas. Eu o sigo. As mãos no peito dele. O prendendo.

— Pede desculpa — eu exijo.

— Jamais.

— Kyle.

— Você começou. Com as folhas na cara.

— Você me puxou para a pilha!

— Você precisava ser puxada.

— Eu precisava...

Uma folha acerta a minha nuca. Olho para cima.

As três crianças estão lá. Armadas com folhas. Sorrindo.

— Pega os dois! — Alexander comanda.

Eles atacam. Os três. Nos enterrando em folhas.

Kyle se senta rápido. Envolve os braços ao meu redor. Usa o próprio corpo como escudo.

— Cobre o rosto — ele diz no meu ouvido.

Faço isso. Pressiono o rosto contra o peito dele. O suéter dele é macio. Cheira a ele. Cedro e mais alguma coisa. Algo que faz meu estômago fazer aquela coisa que costumava fazer no colégio.

O ataque de folhas continua. Consigo ouvir as crianças rindo. Sentir as folhas acertando as costas de Kyle. Os ombros.

Ele não me solta. Só me segura. Um braço nas minhas costas. Uma mão segurando a nuca.

A gente fica assim por mais tempo do que o necessário.

O coração dele está batendo debaixo do meu ouvido. Rápido. Firme.

— Mia — ele diz para mim.

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