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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 432

Ponto de Vista de Mia

O vestido está pendurado na parte de trás da porta do meu quarto, balançando levemente na corrente de ar do aquecedor que nunca fecha direito. Azul-marinho. Simples. O tipo de vestido que diz "estou levando isso a sério" sem gritar "estou me esforçando demais."

Comprei há três semanas na Nordstrom, passei vinte minutos no provador me olhando de ângulos diferentes, depois comprei. Devolvi dois dias depois porque parecia formal demais. Depois comprei de novo na semana passada porque tudo que eu experimentei parecia errado.

Minhas mãos estão tremendo enquanto alcanço o zíper. Não muito. Só o suficiente para que quando meus dedos tocam o puxador de metal pela primeira vez, eles escorregam e eu preciso tentar de novo, pegando na segunda tentativa e puxando devagar. O som dos dentes de metal se encontrando preenche o quarto silencioso, e consigo ouvir minha própria respiração por baixo, levemente acelerada, levemente rasa.

Através da parede, consigo ouvir a voz de Alexander, alta e animada e falando tão rápido que as palavras se borram numa corrente de consciência contínua. — ...e aí o juiz vai dizer "você promete" e a Madison vai dizer "eu prometo" e aí a gente vai ser irmãos OFICIAIS! Não só irmãos normais mas irmãos LEGAIS o que significa que nunca mais ninguém pode dizer que a gente não é família de verdade porque vai ter PAPÉIS e papéis são OFICIAIS e...

— Alexander. — A voz de Ethan corta, paciente mas cansada daquele jeito específico que sugere que esta não é a primeira vez que ele ouviu esse monólogo essa manhã. — Você explicou isso dezessete vezes. Eu entendo. A gente toda entende.

— Mas é IMPORTANTE.

— Eu sei que é importante. Você não precisa ficar repetindo a mesma coisa várias vezes. Não é assim que a importância funciona.

Uma batidinha na minha porta interrompe o que Alexander estava prestes a dizer.

— Mia? — A voz de Madison está pequena, cuidadosa, do jeito que ainda fica às vezes quando ela não tem certeza se pode interromper, se a presença dela é bem-vinda, se está sendo demais.

Atravesso o quarto e abro a porta, e ela está parada ali com o vestido novo — rosa claro, a cor do céu de manhã cedo quando o sol está começando a pensar em nascer. Florzinhas brancas bordadas ao redor do colarinho num padrão que parece que alguém passou horas acertando cada pétala. O cabelo escovado liso e preso com os prendedores de borboleta que comprei pra ela na semana passada.

— Tá bonito? — ela pergunta, e as mãos se entrelaçam na frente dela, os dedos cruzando e descruzando e cruzando de novo naquele gesto nervoso que ela faz quando está com medo de errar alguma coisa, de ser julgada e considerada insuficiente.

— Você está linda, bebê.

— Não é demais? — Os olhos caem para o chão, para os sapatinhos pretos com tira que ela está usando. — O vestido. É demais? — Ela para, engole em seco, e consigo ver a garganta dela trabalhando.

Eu me ajoelho ali mesmo na soleira. — Olha pra mim.

Ela olha, devagar, os olhos castanhos subindo para encontrar os meus, e estão úmidos mas ainda não chorando, parados naquela beira.

— Você está perfeita. Não é demais. Não é de menos. É exatamente certo.

— Você está com medo? — ela pergunta.

— Do que vai acontecer hoje?

Ela acena com a cabeça, e consigo ver o pulso batendo rápido no oco do pescoço.

Penso em mentir, em dizer não, claro que não, tudo vai ficar bem, as palavras prontas na ponta da língua, fáceis e reconfortantes e completamente inúteis. Mas Madison já teve mentiras suficientes em sua vida curta, adultos suficientes dizendo coisas que soam bem mas não significam nada.

— Um pouco — eu digo em vez disso, e vejo os olhos dela arregalarem levemente com a honestidade. — Mas o tipo bom de medo. O que você sente antes de algo importante acontecer. Igual ao primeiro dia de aula. Ou a festa do seu aniversário. Aquela sensação de borboletas no estômago.

— Eu também tenho borboletas. — A mão dela se move para pressionar o estômago através do tecido rosa. — Muitas. Tipo centenas. Talvez milhares.

— Tudo bem. As borboletas significam que você se importa.

— Elas vão embora?

— Com o tempo. Depois que acabar.

— Depois que eu for adotada?

A palavra — adotada. Grande e oficial e tão real.

— Sim. Depois que você for adotada.

Ela fica quieta por um momento, os olhos ficando distantes como se estivesse tentando imaginar um futuro que ainda parece impossível mesmo estando a apenas algumas horas de distância. Então: — E se o juiz disser não?

— Ele não vai dizer.

— Mas e se...

— Madison. — Pego as duas mãozinhas nas minhas, sentindo como são pequenas e quentes, como o pulso está disparado sob a pele delicada dos pulsos. — O juiz não vai dizer não. Ele vai olhar todos os relatórios e todas as evidências e vai ver o que eu vejo — que você já é minha filha faz meses. Hoje é só tornar isso oficial. Tornar de um jeito que ninguém nunca mais pode dizer o contrário.

— Para sempre?

— Para sempre.

— Tipo para-sempre-sem-devolver?

Minha garganta fecha completamente, e por um segundo não consigo respirar porque a pergunta revela tanto sobre como ela enxerga o mundo, sobre o que ela aprendeu sobre amor e pertencimento e como tudo é condicional, como pode ser tirado a qualquer momento.

— Tipo para-sempre-sem-devolver — eu consigo dizer, e minha voz soa rouca até para os meus próprios ouvidos. — Tipo você é minha e eu sou sua e nada pode mudar isso.

Ela sorri agora, de verdade sorri, o tipo que chega até os olhos e faz franzir os cantos e ilumina o rosto inteiro.

Madison se senta na cadeira do meu lado, mas não toca na comida. Só fica empurrando pelo prato com o garfo, fazendo padrões na calda — redemoinhos e figuras em oito e desenhos abstratos que podem significar alguma coisa ou podem ser só uma forma de manter as mãos ocupadas.

— Sem fome? — eu pergunto baixinho, passando a mão no cabelo dela para afastar da testa.

Ela balança a cabeça, sem levantar os olhos do prato.

— Borboletas?

Ela acena, e eu vejo a garganta trabalhar quando ela engole em seco.

— Tudo bem. Você não precisa comer se não quiser. Hoje é diferente. Hoje as borboletas podem ganhar.

— Mas você sempre fala que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Que nosso cérebro precisa de combustível para funcionar direito.

— Você tem razão, eu falo isso. Mas hoje é especial. Hoje seu estômago já está cheio — cheio de borboletas e animação e talvez um pouco de nervoso. Tudo bem. Isso é permitido.

Ela larga o garfo, e o alívio que cruza o rosto é imediato e visível, como se eu tivesse acabado de dar a ela permissão para parar de fingir que está bem quando na verdade não está.

Minha mãe aparece com café, colocando na minha frente sem uma palavra, e a caneca está quente nas mãos, o café cheirando a tudo que é seguro e familiar e tranquilizador. O vapor sobe da superfície em espirais preguiçosas, e eu o observo por um momento antes de dar um gole, deixando o calor e o amargor acordar partes do cérebro que ainda estão nebulosas de sono e nervosismo.

— Você está pronta? — ela pergunta, a voz baixa o suficiente para que só eu possa ouvir.

— Acho que sim.

— Acha que sim ou sabe que sim?

— Acho que sim. — Dou mais um gole. — Isso é suficiente?

Ela sorri, e tem algo de sabedoria naquilo, algo que vem de ter vivido mais e sobrevivido mais. — Ninguém está nunca realmente pronto para os grandes momentos. Você só aparece e torce pelo melhor.

A mão dela toca meu ombro, só uma vez, breve e quente e reconfortante, antes de ela se afastar para virar mais waffles.

A campainha toca.

Gas late uma vez — alto e alertando — depois parece reconhecer o som e o padrão de passos do outro lado e muda para abanar o rabo.

— EU VOU ATENDER! — Alexander já está correndo, a cadeira raspando no chão com um som que faz meus dentes doerem.

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