A náusea nasceu como um vulcão dentro de mim.
Aquela imagem era a confirmação de que nem mesmo na cama eu servia para ele. Alguns minutos e ele já estava procurando alívio onde realmente queria.
Corri de volta para o quarto e vomitei um líquido amargo que, assim que parou, me fez chorar encolhida no chão do banheiro.
Olhei para a minha roupa jogada em um canto. Eu tinha me oferecido a ele, não foi violência, eu quis, só que meu corpo esqueceu que nada ali era real.
Ouvi a porta do quarto abrir e tranquei o banheiro.
— Magricela? Eu trouxe um lanche. Não sei se está bom, mas fiz o meu melhor.
Respirei fundo.
— Já vou. Estou usando o banheiro.
— Está tudo bem mesmo?
— Tudo, já saio.
— Sua voz está estranha, Aurora. Abre.
— Não é nada, eu já vou.
Lavei o rosto várias vezes, respirei fundo, coloquei um colírio nos olhos para disfarçar a vermelhidão e, quando me senti pronta para mentir.
Saí sorrindo e ele repetiu.
— Fiz um lanche. Minha especialidade, pão com geleia e requeijão.
— Não estou com fome.
— Nem se eu colocar na sua boca? Está bem gostoso, prometo.
Pensei na mão dele tocando minha comida, a mesma que provavelmente tinha invadido a vagina de Suzanna há poucos minutos.
Soltei o ar e recusei.
— Eu mesma como. Era só para ver se ainda seria carinhoso mesmo depois da primeira noite.
Noah segurou a minha mão e beijou meus dedos.
— Como sempre fomos, Magricela.
— Você tem um conceito interessante de carinho, mas agora eu gosto.
— Vai gostar mais quando entender.
Mordi o sanduíche que Noah havia preparado, mas assim que tive oportunidade cuspi no guardanapo. Fiz o mesmo com cada pedaço que coloquei na boca.
Imaginei que eles tinham colocado algo para me dopar.
Assim que terminei o lanche eu fingi sono. E, como esperado, Noah não reclamou. Tirou as coisas da cama e eu aproveitei para jogar o guardanapo cheio de restos dentro da gaveta.
Ele voltou para perto de mim e me puxou para o seu peito.
Os dedos passavam pelas minhas costas em um movimento sem fim. Subiam lentos e desciam de novo com uma suavidade que eu não esperava dele.
Noah me deixava confusa, quase como se eu fosse realmente louca e precisasse daquele sanatório.
Adormeci nos braços dele e só acordei quando um pequeno raio de sol invadiu nosso quarto e tocou meu rosto.
— Bom dia, Magricela.
Ele ainda estava na mesma posição. Olhando para mim com um sorriso bobo malicioso que me fez ficar vermelha.
Noah passou o dedo nos meus lábios e desceu até o mamilo que estava para fora do decote.
— Gostei dessa camisola em você. Vou comprar uma por dia, porque quero rasgar algumas.
— Noah...
Ele soltou uma gargalhada e beijou minha boca com força.
— Nunca vou te machucar na cama, Magricela.
Talvez ele achasse que não, mas Noah havia destruído cada grama de prazer que arrancou de mim no momento em que foi procurar por Suzanna.
Eu me sentia destruída por dentro, mas sempre soube que nenhuma guerra se vence sem sangrar.
— Vamos para a empresa, hoje?
— Não, hoje eu reservei o dia para ficar com a minha mulher. Cancelei a agenda e mandei colocar em neon... MAGRICELA.
Era odioso o quanto Noah podia ser hipócrita, ainda assim eu sorri.
— E posso pedir qualquer coisa?

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