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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 103

Gustavo voltou ao próprio escritório, com a mente a mil.

O filho da amante tentando sentar na cadeira do herdeiro legítimo.

As palavras de Henrique ainda ecoavam em sua mente, não porque doíam - a dor já era antiga, amortecida pelo tempo - mas porque provavam o que ele já sabia: o irmão não mudaria. Nunca mudaria. A empresa poderia pegar fogo, e Henrique estaria mais preocupado em proteger seu trono do que em apagar as chamas.

Gustavo caminhou até a mesa. A vista da janela era privilegiada - todo o complexo da Essência se estendia abaixo, os caminhões de entrega entrando e saindo, os funcionários caminhando pelos jardins bem cuidados. Uma máquina bem azeitada. Pelo menos por fora.

- Entre - ele disse, sem se virar, ao som da batida na porta.

O Engenheiro de Segurança entrou, trazendo um tablet e uma expressão que Gustavo já conhecia bem: a de quem está prestes a entregar más notícias.

- Sr. Gustavo, tenho o relatório que o senhor pediu.

- E? - Gustavo se virou, encostando-se na borda da mesa.

Pedro, um homem de meia-idade com olheiras profundas e ar de quem não dormia há dias, colocou o tablet sobre a mesa.

- Não foi possível identificar quem vazou os documentos.

Gustavo franziu o cenho.

- Como assim?

- O computador utilizado foi o terminal que fica ao lado das impressoras, no corredor. - Pedro passou o dedo pela tela, mostrando a planta baixa. - O lugar mais exposto possível. E, ao mesmo tempo, o mais camuflado.

- Explique.

- Qualquer pessoa no andar poderia ter usado aquela máquina sem levantar suspeitas. É um computador de uso comum, ninguém presta atenção em quem está ali. - Pedro fez uma pausa. - E as câmeras de segurança não cobrem aquele ponto. É uma zona morta.

Gustavo sentiu a irritação subir pela nuca.

- Uma zona morta. No corredor das impressoras. Bem no local onde alguém decidiu acessar arquivos restritos.

- Exatamente.

- Então quem fez isso sabia da falha nas câmeras.

- É a conclusão mais provável. - Pedro hesitou. - E há mais, senhor.

- Diga.

- Os arquivos enviados da última vez não continham apenas as fórmulas. - O homem passou o dedo pela tela novamente. - Também foram levados boa parte das campanhas publicitárias do semestre. Criativos, estratégias de marketing, datas de lançamento...

Gustavo apertou os olhos, sentindo uma pontada latejar em sua têmpora.

Desde que chegara a Pedra Negra, a dor de cabeça era praticamente permanente - um companheiro indesejado que se instalara em sua nuca e se recusava a ir embora.

- Só piora - murmurou, passando a mão pelo rosto. - Como está o progresso do novo sistema?

- Estamos finalizando. - Pedro pareceu aliviado por ter uma boa notícia. - A partir de agora, para acessar qualquer computador será exigida uma credencial única. Nada de terminais compartilhados.

- Quanto tempo?

- Cinco dias. No máximo.

- Acelere. - Gustavo pegou o tablet, revisando os dados. - Vamos liberar os sistemas básicos antes, para a empresa não parar.

- Sim, senhor.

Quando Pedro saiu, Gustavo ficou sozinho por um momento, a mente girando em alta velocidade.

O que ela está fazendo aqui?

Ela usava um conjunto jeans - jaqueta e calça - e tênis. Totalmente inadequada para o ambiente corporativo, mas com uma naturalidade que fazia com que a inadequação parecesse quase charmosa.

Seus cabelos escuros estavam presos em um coque desajeitado, alguns fios escapando e caindo sobre o rosto. Ela parecia concentrada, os olhos fixos na bandeja, caminhando com a cautela de quem transportava algo frágil.

Ela vai entrar. Vai passar por aquela porta de vidro e...

Mas ela não entrou.

Em vez disso, mudou de direção.

Gustavo não soube dizer o que aconteceu. Talvez ela tenha desviado o olhar da bandeja por um segundo. Talvez a pilha de copos tenha bloqueado sua visão. Talvez tenha sido apenas distração - o tipo de distração que acontece quando alguém está nervoso e não quer demonstrar.

O fato é que ela não viu o vidro.

A batida foi seca, surda, acompanhada pelo som estrondoso das garrafas se espatifando no chão.

A água jorrou para todos os lados, molhando suas roupas, o piso, as paredes transparentes. A pilha de copos descartáveis se espalhou como flocos de neve em um dia de ventania, alguns rolando até os pés dos diretores, outros se perdendo embaixo das cadeiras.

O silêncio foi absoluto.

Por um segundo.

E então alguém riu. Depois outro. Logo, a sala inteira estava em gargalhadas.

A garota ficou imóvel por um momento, o rosto vermelho como um tomate, os olhos arregalados de horror. A jaqueta jeans estava encharcada, gotas escorrendo pela barra da calça, formando uma poça ao redor de seus tênis molhados.

Ela parecia uma criança que tomou um banho de chuva forçado.

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