Sentindo de repente um calor morno na bochecha, Clara reagiu dando um tapa na mão dele. No entanto, a mão ossuda do homem era dura como um pedaço de pau, e foi a palma da mão dela que acabou formigando com o impacto.
Ela franziu a testa, o tom de voz carregado de irritação:
— Fale o que tiver que falar, mas pra que ficar tocando em mim?
Mark pousou o olhar sobre a mão dela, que estava vermelha, e sua voz ficou um pouco mais grave:
— Não me controlei. Machucou a mão?
— Não sou tão fresca assim. Só pare de ficar me tocando. — Clara soltou a frase e seguiu caminhando.
Mark deu passadas largas e a alcançou em poucos instantes, a voz cheia de um pedido de desculpas evidente:
— Desculpe. Da próxima vez, com certeza pedirei sua permissão antes.
Clara virou a cabeça para encará-lo, erguendo uma sobrancelha:
— Essa atitude é sincera mesmo?
— Claro que é. — Mark respondeu sem hesitar.
Os dois entraram em uma cafeteria na beira da rua, e Mark comprou dois cafés quentes.
Ao saírem, Clara olhou a hora no celular e disse calmamente:
— Está na hora de voltar.
Ela baixou a cabeça e mandou uma mensagem para Katarina: [Vocês já terminaram? Vamos embora juntas.]
Naquele momento, Katarina, aproveitando que Isabela estava facilitando o jogo, tinha acabado de ganhar algumas rodadas e respondeu na hora: [Acabamos. Hoje o jantar é por minha conta.]
Logo em seguida, corrigiu: [Não, deixa que o Tomás paga, ele ainda está devendo uma para a gente.]
Clara olhou para a tela e respondeu com um [Pode ser].
Assim que guardou o celular, ouviu a voz de Mark:
— Eu te levo.
— Não precisa. — Ela recusou secamente. — Avisei ao meu pai que ficaria com a Katarina hoje, e nós ainda temos um compromisso.
Mark, no entanto, não estava disposto a desistir. Deu um passo à frente e perguntou, com o olhar intenso:
— Quando a Diretora Clara terá um tempo livre para me dar a honra de um jantar?
— Sem tempo. — Clara respondeu sem pensar, depois olhou para ele, acrescentando um tom de aviso: — Fique longe de mim. Se meu pai descobrir, ele é capaz de destruir o seu laboratório.
Mark riu baixo, com um tom de certeza e persistência:
— Ivana, eu também tenho muitas canetinhas coloridas.
Ivana não parou de colorir e respondeu casualmente:
— É normal ter canetinhas.
E acrescentou, erguendo o queixo generosamente:
— Se quiser desenhar, pode usar as minhas à vontade.
Seven olhou para as canetas na mesa, mas balançou a cabeça, dizendo com sua vozinha séria:
— Não vou desenhar, senão a mãozinha vai ficar suja.
— Se sujar, é só lavar que sai. — Ivana levantou a cabeça e sorriu para ele.
Seven balançou a cabeça levemente mais uma vez e voltou a colocar o canudo na boca:
— Eu vou procurar a mamãe.
Ele sugou o último gole de leite fazendo barulho, caminhou com a mamadeira vazia até a lixeira, jogou-a fora e saiu correndo com suas perninhas curtas em direção à sala de jogos.
Nesse momento, o jogo de cartas de Isabela e os outros já tinha terminado. Katarina tinha acabado de lavar as mãos e saía do banheiro quando deu de cara com Seven correndo. Estendeu a mão e bloqueou o caminho dele.

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