Clara conversava animadamente com as amigas quando a tela do celular acendeu de repente. Era uma chamada de vídeo de Renan.
Ela olhou para o identificador, tocou na tela para atender e disse em tom alegre:
— Oi, pai.
O rosto sorridente de Renan apareceu imediatamente na tela, com a voz muito gentil:
— Clara, já pegou o remédio? Eu e sua mãe estamos na casa da sua avó, quer vir jantar aqui?
Katarina, com os ouvidos atentos, aproximou-se ao ouvir a voz, enfiou a cabeça na frente da câmera e gritou sorrindo:
— Sr. Campos! A Clara está aqui brincando comigo!
— Ah, é a Katarina. — Renan sorriu, compreendendo, e seu tom ficou mais relaxado. — Então divirtam-se bastante.
— Pode deixar, tchau, Sr. Campos!
Clara concordou com um "tá bom" sonoro e desligou o telefone.
Assim que Renan guardou o celular e se virou, deu de cara com Fabiana parada atrás dele.
O olhar de Fabiana carregava um misto de reprovação e resignação, e seu tom era de pura implicância:
— Renan, você não acha que está exagerando um pouco? A Clara mal saiu de casa e você já foi atrás com chamada de vídeo. Desse jeito, é melhor você começar a andar colado na sombra dela.
— Não é para tanto.
Renan, pego no flagra com seu excesso de zelo, não se abalou nem um pouco. Pelo contrário, sorriu com um ar astuto e respondeu:
— Só perguntei se ela queria vir jantar. A mãe preparou uma mesa cheia de comida hoje.
— Olha, eu acho que quando a Clara casar, você devia logo casar junto e ir morar com ela.
Fabiana revirou os olhos, soltou essa frase e virou as costas, caminhando para dentro de casa, pensando consigo mesma que a obsessão daquele homem pela filha não tinha cura.
— Eu não vou casar nunca. Em casa tenho pai e mãe para me mimar, irmão para me estragar, a vida é boa demais.
— Se o tio ouvisse isso, acho que ele ia ficar radiante. — Estela não conseguiu conter o riso.
Na cadeira ao lado, Clara estava sentada perto de Katarina, mas Mark, ao seu lado, não parava quieto.
Com um par de mãos elegantes segurando os talheres de servir, ele não parava de colocar comida na tigela dela. Em poucos instantes, formou-se uma pequena montanha de comida no prato de porcelana branca.
Clara olhou para a "montanha" à sua frente e ergueu os olhos, resignada:
— Você acha que eu aguento comer tudo isso?
— Não tem problema. O que você não comer, eu traço. — Mark respondeu com um tom casual, mas seus olhos escondiam um sorriso.
Ivana, que estava ao lado observando a cena há um tempo, não aguentou e interveio com sua vozinha infantil:

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