Mark encarou a mensagem e digitou uma linha:
[Mandar um buquê de flores agora conta como assédio?]
Após enviar, complementou:
[Diretora Clara, fique tranquila, vou me concentrar no trabalho.]
Guardando o celular, ele se virou, entrou no vestiário, trocou de roupa e foi direto para o laboratório.
Assim que pisou no laboratório, Mark mergulhou todos os seus pensamentos no trabalho, recalibrando repetidamente os dados experimentais, sem ousar relaxar nem por um segundo.
Quando finalmente terminou o trabalho e saiu do laboratório, já estava escuro lá fora, e uma chuva fina caía silenciosamente.
Ele vestiu suas roupas comuns e caminhou até o refeitório.
Assim que se serviu, ergueu os olhos e vislumbrou uma figura familiar, caminhando direto com a bandeja na mão.
Naquele momento, Clara estava enviando um áudio pelo celular, com a voz clara:
[Nicolau tem um compromisso hoje à noite, não tem ninguém para vir me buscar. Katarina, me ajude a treinar direção no fim de semana? Preciso treinar até ter coragem de dirigir sozinha.]
Após uma pausa, ela acrescentou sorrindo:
[Não precisa, eu pego um carro de aplicativo para voltar mais tarde.]
Na verdade, Renan tinha dito que viria buscá-la, mas ela recusou prontamente.
Na época da faculdade, Renan sempre a buscava e levava, e logo surgiram fofocas lá fora dizendo que ela era a filhinha de papai que ainda não tinha desmamado.
Desde então, ela preferia incomodar o motorista a deixar Renan aparecer.
Essas palavras caíram, sílaba por sílaba, nos ouvidos de Mark.
Ele sentou-se na posição oposta à de Clara. Ela ergueu os olhos ao ouvir o som, com os olhos amendoados levemente arregalados:
— Quando você chegou?
Mark parou a mão que segurava os talheres e sorriu, erguendo uma sobrancelha:
— Agora mesmo. O quê? Sou tão assustador assim para te assustar?
Clara não lhe deu atenção, pois o áudio de Katarina chegou naquele exato momento:
[Beleza, fim de semana te levo para treinar.]
Ao ouvir isso, Mark ergueu as sobrancelhas e falou:
— Tem carteira de motorista há quantos anos?
— Não é da sua conta. — Clara nem levantou a cabeça.
Mark riu baixo:
Clara desviou o olhar e o dispensou:
— Vá cuidar das suas coisas.
Ele sentado à frente dela realmente a deixava totalmente desconfortável.
Mark sacou o celular e o balançou, sem diminuir o sorriso:
— Já bati o ponto, não tenho nada para fazer. Vou acompanhar a Diretora Clara um pouco.
Clara lançou-lhe um olhar afiado, mas acabou não dizendo mais nada.
Esse homem tinha a cara de pau tão grossa que não adiantava expulsar; era melhor comer mais rápido e sair logo dali.
O olhar de Mark ficou grudado no rosto dela. Depois de observar por um bom tempo, percebeu que a velocidade com que ela comia tinha aumentado visivelmente, e não pôde deixar de falar:
— Mastigue devagar, facilita a digestão, faz bem para o estômago.
Clara fingiu que não ouviu e enterrou a cabeça na "batalha" contra a comida no prato.
Mark cedeu, impotente:
— Coma devagar, não vou olhar para você.
— Cale a boca. — Clara finalmente não aguentou e cuspiu as três palavras.

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