Quando Tiago e Seven voltaram, Isabela tinha acabado de almoçar.
Talvez por ter dormido demais, suas têmporas latejavam. Ela estava na varanda, de frente para a corrente de ar, tentando se recuperar.
Seven, segurando uma maçã do amor vermelha e brilhante, correu em sua direção, sua voz infantil soando doce:
— Mamãe, maçã do amor!
Isabela pegou o doce, sentindo a cobertura de açúcar fria em seus dedos, e perguntou com uma voz suave:
— Você comeu?
Seven mostrou seus dedinhos gordinhos e balançou a mão:
— Comi. A tia comprou cinco.
Ele se aproximou um pouco mais e sussurrou:
— A tia disse que criança não pode comer muito, então eu só comi algumas.
Isabela riu da maneira como ele se exibia, levou a maçã do amor aos lábios dele e disse, com um sorriso nos olhos:
— Nosso Seven é tão bonzinho, merece uma recompensa.
Seven mal havia mordido uma das maçãs caramelizadas na ponta dos pés quando a voz grave de Tiago soou atrás dele, com uma firmeza inquestionável:
— Vá lavar as mãos.
O menino, com a maçã na boca e as bochechas cheias, olhou para Tiago com grandes olhos inocentes:
— Tenho que ir sozinho?
— Sim — Tiago arregaçou as mangas da roupa dele, revelando seus pulsos brancos e macios.
Ele ergueu o olhar para Isabela e perguntou em voz baixa:
— Dormiu a manhã toda?
— Sim, dormi um pouco demais — Isabela entregou a maçã do amor a ele, franzindo levemente a testa. — Está um pouco azeda, não quero mais.
Tiago pegou o doce e, no mesmo movimento, a puxou para seus braços.
Ele sentiu o frio do inverno em seu corpo e, ao se inclinar, percebeu o leve perfume em seus cabelos.
— De novo de frente para o vento?
— Ajuda a despertar — Isabela empurrou seu peito, mas não se soltou.
Tiago baixou o olhar e, de repente, seus lábios encontraram os dela.
Isabela arregalou os olhos, um som suave escapando de sua garganta, mas ele apenas a beijou com mais força antes de se afastar um pouco, acariciando o canto de sua boca com os dedos e rindo baixo:
— Para provar o gosto da maçã do amor.
As bochechas de Isabela coraram, e ela o encarou com um olhar de censura:
— Você não está segurando uma maçã do amor?
— A da sua boca é muito mais doce — a voz de Tiago era preguiçosa e rouca, mas antes que ele pudesse terminar, foi interrompido por um grito infantil.
— Mamãe! Minha roupa está molhada!
Isabela respondeu prontamente, soltando-se dos braços de Tiago e correndo em direção ao filho:
— Não tem problema, é só trocar de roupa.
Seven estava parado, puxando a frente de seu suéter encharcado, com um biquinho de quem ia chorar:
— Eu não sei como molhou.
Isabela tocou a mancha molhada e disse com uma voz calma:
Tiago entrou no quarto e trancou a porta.
Ele tirou do bolso um amuleto da sorte delicadamente bordado e o entregou a Isabela, sua voz profunda e calma:
— A vovó foi ao templo especialmente para pedir isso para você.
Isabela pegou o amuleto, sentindo o calor em seus dedos, e sorriu:
— Agradeça à avó Nunes por mim.
— Somos família, não precisa agradecer — Tiago riu baixo e, antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, suas mãos longas e finas seguraram seu rosto, e ele se inclinou para beijá-la.
Este beijo era completamente diferente do da varanda, terno e quase reverente.
Seus lábios traçaram suavemente o contorno dos dela, e no roçar de suas bocas, suas respirações se misturaram. O beijo, inicialmente leve, se aprofundou, carregado de uma atração irresistível.
Os braços de Isabela, em algum momento, envolveram sua cintura. Tiago a pressionou contra o espelho do closet. A superfície fria do espelho contrastava com o calor de suas mãos.
Só quando ambos estavam ofegantes, Tiago se afastou lentamente, encostando a testa na dela e acariciando seus lábios vermelhos e inchados pelo beijo.
O peito de Isabela subia e descia suavemente, e ela o encarou com um olhar de censura:
— Ainda vamos sair?
— Vamos — respondeu Tiago, mas se inclinou para dar um selinho no canto de sua boca, fazendo-a estremecer.
Tiago olhou para o reflexo dos dois no espelho e teve uma ideia: queria mandar o pequeno lá fora para a casa dos avós. Com Belinha lá, ele ficaria bem.
Ela empurrou seu peito e olhou de soslaio para seus lábios, que pareciam ainda mais vermelhos, sua voz com um tom manhoso:
— Saia, vou trocar de roupa.
Tiago respondeu com um baixo "uhum" e, relutante, a soltou, saindo do quarto.

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