No terceiro dia após a cirurgia, Sílvio abriu os olhos lentamente, o olhar fixando-se na silhueta ao lado da cama.
"Carla... Carla..."
Os lábios do homem estavam ressecados e se moviam quase imperceptivelmente.
Ao ouvi-lo, Carla se inclinou, molhando um cotonete na água para umedecer seus lábios.
O toque gelado trouxe Sílvio de volta à consciência, e ele a encarou atentamente: "...não é... um sonho?"
"Não."
A voz de Carla soou mais suave do que de costume. "Você acordou."
Aos poucos, Sílvio recobrou a lucidez, e seu rosto pálido se iluminou de alegria: "Então quer dizer que a cirurgia foi um sucesso?"
"Sim."
"Quanto tempo eu dormi?"
"Dois anos."
"..."
O cansaço o invadiu novamente. De repente, tombou para trás, mergulhando em mais um sono profundo.
Quando despertou novamente ao entardecer, sentia-se bem melhor.
Comeu tudo o que havia no prato: cinco acompanhamentos e uma sopa, além de três tigelas de arroz.
Enquanto ele se alimentava, Carla falou em tom profissional: "Durante o tempo em que você esteve em coma, eu administrei o Grupo Henriques. Agora que você está de volta, em um mês eu lhe devolvo tudo, sem faltar um centavo."
Sílvio largou a tigela, pegou um lenço umedecido e limpou cuidadosamente a boca e os dedos, um por um. De repente, estendeu a mão e segurou firme a dela.
Com o olhar intenso, disse: "O Grupo Henriques você pode me devolver, mas e a minha Carla? Quando é que você vai me devolver a minha Carla?"
O quarto ficou em silêncio, exceto pelo tique-taque dos aparelhos.
Carla pensou por um instante antes de responder: "Primeiro, agradeço por sua importante contribuição como voluntário no desenvolvimento do coração artificial."
"Segundo, entre nós, não há como voltar ao passado."
"Por último, considerando sua condição física e as necessidades da minha pesquisa, aceito tentar estabelecer um novo tipo de relação: um relacionamento cooperativo."
Ao ouvir isso, os olhos de Sílvio brilharam.

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