Carla Nobre lutava com todas as forças, mas o beijo dele era dominador e persistente, como se carregasse uma corrente elétrica.
A sensação de formigamento se espalhava de seus lábios, dissolvendo pouco a pouco sua resistência.
Nem mesmo o chip que possuía conseguia reprimir aquela resposta fisiológica instintiva.
Sentindo que a luta da mulher sob seu corpo ficava cada vez mais fraca, o beijo de Sílvio Henriques descia, passeando por seu pescoço delicado e as clavículas graciosas.
As mãos grandes dele também não se comportavam, explorando a cintura dela com movimentos inquietos.
A blusa de Carla foi empurrada para cima, e os dedos ásperos do homem encontraram com perícia certos pontos sensíveis de seu corpo.
A respiração de Carla tornava-se cada vez mais ofegante.
No momento em que a situação parecia fugir totalmente do controle, aproveitando a breve distração de Sílvio, ela transformou a mão em lâmina e golpeou com precisão a nuca dele...
O homem, ainda há pouco tão feroz quanto uma fera, caiu inconsciente ao lado dela num instante.
Aquele golpe seria suficiente para mantê-lo dormindo até o amanhecer.
Olhando para o homem desacordado ao seu lado, Carla soltou um suspiro, aliviando os nervos que estavam tensos até então.
O calor e a inquietação que ele provocara em seu corpo também foram, aos poucos, reprimidos no fundo de sua alma à medida que ele permanecia inconsciente.
"Sílvio..."
Carla mordeu instintivamente os lábios, ainda levemente inchados pelo beijo, e murmurou com voz rouca: "Pode desistir dessa ideia."
Ela virou o rosto, ignorando o homem caído ao lado, puxou o edredom e se enrolou toda, protegendo-se.
A claridade da manhã começava a despontar.
Quando Carla acordou, Sílvio ainda estava na mesma posição em que caíra na noite anterior, imóvel ao lado da cama.
Ao se lembrar do comportamento deplorável dele na noite passada, o ressentimento voltou à tona. Sem a menor cerimônia, ela estendeu o braço e o empurrou com força, jogando-o da cama sem qualquer aviso.
Com um baque surdo, seguido de um gemido abafado de dor, Sílvio acordou de supetão, caído sobre o tapete.
Num instinto, ele rosnou: "Quem fez isso?!"
Ao se erguer, viu a mulher na cama olhando para ele com frieza, reconheceu o quarto do hotel ao redor e, ao baixar o olhar, percebeu as marcas de arranhões e mordidas em seu peito nu, além de uma dor aguda na nuca...
As lembranças da noite anterior voltaram imediatamente.

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