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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 94

Eu estava na recepção da clínica. Informei meu nome e me sentei. O nervosismo bateu forte. Eu estava prestes a conhecer alguém que já existia dentro de mim.

Quando chamaram meu nome, minhas pernas tremeram. A técnica sorriu com gentileza e me conduziu até a sala do exame.

— Pode deitar, Marja — disse ela, com uma voz tranquila.

Deitei-me e respirei fundo. O gel frio tocou minha barriga, fazendo-me estremecer levemente.

— Você já sabe de quanto tempo está? — ela perguntou, enquanto ajustava o aparelho.

— Não… — respondi. — Acho que é recente.

Ela se concentrou na tela. De repente, a expressão dela mudou. Um leve sorriso surgiu em seus lábios.

— Hum… — murmurou. — Marja, você não está no início da gestação.

Franzi a testa.

— Como assim?

Ela virou o monitor um pouco na minha direção.

— Você está com aproximadamente vinte semanas.

Vinte.

A palavra ecoou dentro de mim como um trovão.

— Vinte semanas? — repeti, quase sem voz.

— Sim. Quase cinco meses.

Senti o ar me faltar por um instante. Cinco meses. Como eu não tinha percebido? Como meu corpo guardara esse segredo por tanto tempo enquanto eu atravessava dores, despedidas, violência, amor e perda?

Minha mão tremeu.

— Está tudo bem? — ela perguntou, percebendo meu silêncio.

— Está… — respondi, engolindo em seco. — Só… é muita informação.

Ela sorriu compreensiva e continuou o exame.

— O bebê está ótimo. Medidas perfeitas, batimentos fortes.

E então ela disse, com naturalidade, como se fosse a coisa mais simples do mundo:

— É um menino.

As palavras me atingiram em cheio.

Um menino.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas antes mesmo que eu pudesse reagir. Um nó se formou na minha garganta, apertado, urgente. Levei a mão à boca, tentando conter o choro que já transbordava.

— Quer ouvir o coração? — ela perguntou.

Assenti com a cabeça, incapaz de falar.

Ela ajustou o aparelho, e então o som preencheu a sala.

Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum.

Era rápido. Forte. Vivo.

O coração do meu filho.

Sentei-me à mesa sozinha, mas não me senti só. Apoiei o prato à frente e, sem perceber, comecei a falar baixinho.

— Você deve estar com fome também, né?

Sorri do meu próprio reflexo no vidro da janela. Eu estava falando com meu bebê. Aquilo me fez rir e chorar ao mesmo tempo.

Enquanto comia, os pensamentos começaram a correr livres. Precisava organizar minha vida. Pensar no futuro. Pensar nele.

Levei a mão à barriga. Ainda não era grande, mas agora eu sabia. Sabia exatamente o que havia ali. Um menino. Meu menino.

— Você vai ser forte — murmurei. — Mais forte do que eu jamais fui.

Depois do almoço, lavei a louça com calma, sentindo uma leve tontura, mas nada que me preocupasse. E então pensei no nome.

Alguns dias antes, numa noite em que não conseguia dormir, eu havia assistido a um filme na televisão. Um daqueles filmes simples, mas cheios de coração. A história de um menino de cerca de dez anos, aventureiro, corajoso, que vivia uma amizade improvável com um cachorro.

O nome do menino ecoou na minha mente como um sussurro. Alex.

— Seu nome será Alex.

As palavras saíram firmes. Ri, emocionada.

— Alex… — repeti, sorrindo. — Meu Alex.

Comecei a andar pela sala, primeiro devagar, depois girando levemente. A barra do vestido rodopiava ao redor das minhas pernas, e eu deixei que o corpo se movesse. Girei uma vez, duas, rindo de mim mesma, sentindo as lágrimas escaparem sem tristeza.

Parei no meio da sala, ofegante, com a mão sobre a barriga. Pela primeira vez desde que tudo desmoronou, senti que algo se encaixava. Nem tudo estava resolvido; havia medos, perguntas, ausências dolorosas. Adriano ainda era uma ferida aberta. O futuro ainda era incerto. Mas havia Alex. E, de alguma forma, isso tornava tudo possível.

Sentei-me no sofá.

— Seu nome será Alex — repeti mais uma vez, em voz baixa, como se estivesse contando um segredo só nosso.

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