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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 50

Eu fiquei alguns minutos parada do lado de fora do quarto de Adriano, com a mão suspensa no ar, sem coragem de bater ou de girar a maçaneta. Meu coração batia tão forte que eu tinha medo de que ele pudesse ouvir do outro lado da porta.

Aquilo para mim, não era só desejo — embora ele estivesse ali, intenso, vivo, pulsando sob a pele. Era uma necessidade estranha de proximidade, de ser vista, abraçada, escolhida nem que fosse por um instante.

Respirei fundo e abri a porta.

Adriano estava de costas, parado diante da janela, olhando para o mar escuro. A luz da lua desenhava sua silhueta de um jeito quase irreal. Por um segundo, hesitei. Talvez fosse tarde. Talvez ele não me quisesse mais.

Mas então ele se virou. O susto foi evidente no rosto dele. Seus olhos me encontraram, surpresos por um breve instante, como se eu fosse uma visão inesperada, quase impossível.

— Marja!?

Caminhamos de encontro um ao outro, como se estivéssemos indo em câmera lenta. Quando nos encontramos, ele me beijou, mais lento, mais profundo. Menos urgência, mais entrega.

Adriano desceu comigo até a cama sem quebrar o contato, como se não quisesse, em hipótese alguma, se afastar um centímetro sequer. Quando minhas costas tocaram o colchão, senti um arrepio percorrer meu corpo inteiro. Adriano ficou sobre mim, apoiando o peso nos braços, me observando com atenção demais.

E foi então que perguntou:

—Tem certeza?

Respondi afirmativamente com a cabeça.

Vi nos olhos dele que o desejo continuava ali, intenso, mas agora havia também cuidado. Uma espécie de reconhecimento silencioso.

— Então nós vamos devagar — disse, com a voz baixa e firme. — Só até onde você se sentir segura.

Nos beijamos colados, unidos, como se fôssemos um só e foi tudo como fogo abrasando sem controle. Não houve dor. Houve descobertas, prazer, sensações. Eu não sabia que coisas assim pudessem ser sentidas.

Quando finalmente me acolhi nele — corpo, coração, tudo — senti uma emoção tão intensa que lágrimas escaparam sem que eu percebesse. Adriano as enxugou com o polegar, beijando meu rosto com uma ternura que contrastava com a força do que vivíamos.

E ele estava ali. Não como um homem dividido entre passado e presente. Não como alguém fugindo da própria dor. Naquele momento Adriano estava inteiro, só para mim. Só meu.

Ficamos abraçados em silêncio, o lençol nos cobrindo, o mar continuando a respirar lá fora. Eu estava exausta, mas estranhamente em paz. Encostei o rosto no peito dele, ouvindo seu coração bater forte, constante.

Naquela noite, eu não era apenas a babá, nem a garota ferida do passado, nem a moça que precisava se encaixar em um lugar específico. Eu era a mulher que tomou uma decisão: me entregar ao homem que eu amava.

Eu era apenas Marja. E isso parecia suficiente.

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