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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 45

Eu não esperei pelas justificativas de Michael. Virei as costas e fui em direção à minha casa.

— O que está acontecendo com a gente, Fê?

— Você tem alguém agora e eu não quero estragar o seu relacionamento.

Michael pegou-me pelo braço:

— Você não estraga nada, Fê! Eu tenho saudade de você. Tenho saudade da gente.

Respirei fundo:

— Michael... eu estou me relacionando com outra pessoa agora. E eu não acho que ele vá gostar de nos ver juntos. — menti de novo.

— Isso quer dizer que ele não confia em você. Então não será um bom namorado.

Eu ri, com escárnio:

— Letícia confia em você?

— Por que não confiaria? Somos amigos, Fê. E ela sabe disso.

Tive vontade de esbofeteá-lo. Mas não o fiz. Confirmei, mais uma vez, que eu não sentia nada por Michael. Mas ter que me justificar enquanto tudo que eu queria era ir para dentro da minha casa, tomar um banho e ficar sonhando com Enzo, era foda.

Mas por que mesmo eu estava me justificando? Eu não precisava.

Virei em direção à minha casa e segui o meu caminho. Mas ele veio atrás:

— Eu acho que tem que tomar cuidado com quem está saindo. Você é muito ingênua, Fê.

Eu parei e Michael quase tropeçou em mim.

— Eu não sou ingênua, Michael. Aquela Maria Fernanda que você conheceu não existe mais — vide, aquela que lambia o chão que ele pisava — eu transei com alguém num banheiro de uma boate. E hoje... de novo. E adivinha? Eu descobri que gosto de transar por aí, em lugares inusitados... eu e o meu namorado.

Michael abriu a boca para falar qualquer coisa, mas parece que a voz não saiu.

— Tenho consideração a tudo que vivemos juntos, Michael. Mas não se sinta no direito de tirar satisfações. Eu não sou sua namorada, não sou sua noiva e nem a sua mãe. Ou seja, não preciso dos seus cuidados. Sem contar que sou bem grandinha para resolver os meus problemas. Detalhe: eu não tenho problemas. Então, estou bem.

Sim, meu único problema era um bebê no ventre, uma hipoteca, uma dívida com um agiota, ter transado com meu chefe paranoico. De resto, tudo certo.

— Você não pode me tirar da sua vida desse jeito, Fê. — ele pegou meu braço com força, me assustando.

— Tire agora as suas mãos de mim. — Falei, entredentes.

Michael olhou para os dedos na minha pele e retirou imediatamente.

— Já passa da meia-noite. — olhei no relógio — Que porra você está fazendo aqui?

— Repetindo: estou com saudade. Olhei televisão com o seu pai. Fui ao seu quarto. Esperei, esperei, esperei. E nada.

Ele tinha sim uma boa relação com o meu pai. Aliás, a família de Michael era muito próxima da nossa. A mãe dele era melhor amiga da minha mãe e os Kavanag terem vindo para o mesmo bairro em que morávamos, quando eu ainda era pequena, foi um combinado entre as duas, como uma forma de ficarem próximas.

Michael tinha uma família incrível. E ele também era uma pessoa legal. Mas perdi o encanto no momento que ele pediu Letícia em casamento. Então, talvez fosse hora da verdade.

O encarei:

— Michael, sabe por que não podemos voltar a ser melhores amigos?

Ele arqueou a sobrancelha:

— Você nunca agiu assim, Fê. É por causa desse namorado otário?

— Ele não é otário! — defendi, furiosa, o meu namorado imaginário.

Michael alisou o meu rosto. Eu não senti nada. Absolutamente nada. Se ele soubesse o quanto aquilo me desestruturava há um tempo. Eu estava curada. E tinha a certeza de que o que senti não foi amor. Foi paixão. Ilusão. Meu mundo se resumi a Michael por longos anos. Agora era hora de me jogar na vida real e não mais me apegar a alguém que me usava.

— Posso ao menos... te abraçar?

— Por quê?

— Porque a gente sempre fazia isso. E... eu estou com saudade. E quero um abraço, porra. Um abraço de amigo. Seu namorado não a abraçou hoje?

— Sim... me abraçou. Porque ele é... o meu namorado.

Antes que eu pudesse consentir o abraço, Michael me tomou em seus braços. Quando aproximou o rosto do meu, com os lábios entreabertos, senti um frio percorrer a minha espinha. Não, eu não deixaria ele me beijar. Se tinha uma coisa que eu nunca tive vocação era ser a outra numa relação.

Mas Michael desviou os lábios dos meus. E beijou meu pescoço, em seguida sugando, fazendo com que eu sentisse dor com o chupão.

O empurrei, com força. Ele se desequilibrou e quase caiu.

— Que porra você fez? — gritei.

Ele riu, carregado de sarcasmo:

— Agora explique para o seu namorado sobre como isso aconteceu. Você sabe que ainda gosta de mim, Fê. E eu descobri que gosto de você... muito mais do que eu imaginava.

Toquei meu pescoço e senti as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Como porra eu iria trabalhar com aquilo no dia seguinte?

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