— Está se referindo a minha roupa de banho? — questionou, como se aquilo que usava fosse normal.
— Sim, estou. — não me contive — isso é quase... uma afronta a quem inventou o maiô de banho.
— Me desculpe, senhor, mas achei que o que estava em jogo aqui era a capacidade de salvamento do seu filho. Ou entendi errado e tudo não passa de um desfile de mulheres seminuas? — olhou para as outras candidatas — sem ofensa, meninas.
Como assim Maçãzinha usava uma roupa... parecendo de surfista, porém com as pernas e braços cortados? Aquela porra era um... macacão? Ou um maiô que esqueceram de moldar? Como eu veria a bunda dela?
— Fodeu, senhor! — Aayush murmurou do meu lado.
Fiquei desnorteado. Eu não esperava por aquilo. Foi quando percebi Maçãzinha três, quase Maçãzinha oficial, olhando de forma atenta para Aayush. Demorada demais, na minha percepção.
Encarei Aayush, que olhava para ela.
— Aayush, por que... você está olhando para a minha Maçãzinha? — questionei, furioso, prestes a jogá-lo na piscina.
— É ela, senhor! Tenho quase certeza de que ela é a garota da boate.
O olhei. Depois olhei para Maçãzinha. Então suspirei, falando baixo:
— A “quase” certeza eu também tenho, Aayush. Você não me ajudou em nada, porra! E agora ela vai nadar... com esta coisa horrorosa que chama de maiô. Definitivamente, Maçãzinha quer me enlouquecer.
Me aproximei delas, mas meu olhar era focado em Maria Fernanda:
— Você não sabe o que significa cumprir horários?
— Eu... tive um contratempo. Me desculpe.
— Não basta você se atrasar o tempo todo. Ainda parece ter obsessão por banheiros.
Ela me encarou por um breve momento e abaixou a cabeça. Talvez tenha lembrado daquela boate. E do banheiro. Porque eu não me referi a banheiro, naquele momento, por causa das inúmeras vezes em que ela nos deixou esperando naquela entrevista para frequentá-lo. Era mesmo o banheiro da boate. Caralho, eram banheiros demais e eu estava confundindo a minha mente.
— Eu... realmente precisei ir. Não costumo atrasar, eu juro.
— Não é o que parece, Maria Fernanda.
Percebi ela engolir a saliva, acompanhando o movimento leve que fez com o pescoço. Lembrei do gosto da sua pele macia. E da porra da imagem dela de costas, os cabelos loiros e sedosos caindo pelas costas.
— Senhor... o teste. — Ouvi Aayush, ao longe.
Recobrei meus sentidos e falei:
— Vamos para o teste... na piscina. — tentei manter a compostura.
Eu não deixaria Maçãzinha tirar a minha paciência.
Fiz um sinal e as três se aproximaram.
Eu não estava brincando. Se ele continuasse, eu realmente faria aquilo.
Quando Shirley Yanes se posicionou para pular na piscina, senti um frio na barriga. Lá estava a tatuagem de maçã mordida. Mas... grande demais.
Ok, eu estava dopado. Então... poderia ter me enganado quanto ao tamanho da maçã. Por que eu não escolhi gozar exatamente na maçã? Se tivesse feito aquilo, talvez tivesse mais precisão.
Aayush jogou o boneco rápido demais. Mal tive tempo de analisar melhor a porra da tatuagem.
Eu deveria focar em Shirley. Mas olhei para Maçãzinha número três. E ela... me olhava. Quando nossos olhos se encontraram, ela abaixou a cabeça rapidamente.
Seria medo por ter botado as escutas e eu descobrir?
Eu não vi como Shirley salvou o boneco do meu filho. Só quando ela saiu da piscina. E ela foi bem rápida. Seria uma ótima salva-vidas.
— Agora é você, Ma... — calma, Enzo, não a chame pelo apelido que você colocou nela — Ma...ria Fernanda.
Ela respirou fundo, se posicionou na minha frente. Tirando aquela roupa horrorosa, a bunda dela era perfeita. Perfeita para o meu pau.
Aayush jogou o boneco. Maçãzinha se jogou. E afundou, não voltando à superfície.
Levantei num impulso rápido demais. E me joguei na piscina.

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