— Maçãzinha... — senti a lágrima escorrendo pelo canto do meu olho, indo parar no rosto dela.
Foi como se, assim como ela, eu tivesse voltado à vida.
Seus olhos se abriram e Maçãzinha me olhou, confusa.
— Sou eu. — Apertei sua mão entre as minhas.
— O que... aconteceu?
Quando os aparelhos que estavam ligados ao seu corpo começaram a bipar, logo Michael entrou no quarto.
— Ela acordou! — minha voz soou fraca.
— Michael! — ela tentou um sorriso.
Caralho, eu estava fodido. Maçãzinha tinha perdido a memória. Esqueceu tudo que vivemos. E talvez... tivesse deletado da mente o mal que lhe fiz.
— Meu amor... — tentei a atenção dela.
Maçãzinha me olhou:
— O que... você está fazendo aqui?
— Sou o seu marido.
— Se Deus quiser, por pouco tempo. Vou pedir o divórcio.
Ela tinha recém acordado, mas tive a impressão de que o tempo que passou dormindo planejou a vingança contra mim.
Mal Maçãzinha sabia que para ter êxito em sua vingança bastava me olhar daquela forma... com mágoa, com tristeza, com raiva.
— Ao menos... ela não perdeu a memória. — olhei para Michael.
— Não, ela não perdeu mesmo. Lembra de tudo que você fez para ela.
Admirei minha esposa, forte, determinada, mesmo com o corpo frágil que implorava por socorro.
Eu lutaria por ela. Lutaria por toda a minha vida, se fosse preciso.
— Eu...
— Vai embora. — ela foi enfática, a voz firme — eu não o quero aqui. Sua presença me incomoda, me faz mal.
Dor! Acho que eu já não tinha mais espaço para sentir mais dor! Pagaria até o último dia da minha vida pelo erro que cometi.
Levantei, sentindo o mundo desabar sobre mim. Não passou pela minha cabeça importuná-la naquele momento. Eu realmente não servia para ser o príncipe encantado de ninguém. Ainda assim ela acordou enquanto estava comigo, enquanto minhas mãos estavam junto das dela, enquanto eu tocava a nossa filha.
— Você... vai ver agora como ela está? — olhei para o médico, tentando buscar mais informações, mesmo sabendo que o garoto zumbi dificultaria tudo para mim.
Aliás, o castigo de Shirley tinha sido bem cruel. A pergunta agora era: eu teria mesmo que voltar àquele inferno onde a deixei só para concluir a sentença?
— Peço que se retire para que eu possa analisar o exame. — o garoto zumbi disse.
— Quero saber o resultado.
— Agora não. Assim que eu tiver certeza do que aconteceu, te avisarei.
Apesar de tudo, eu confiava nele. Michael pedia ser jovem, mas em pouco tempo descobriu o que minha esposa tinha, enquanto duas médicas experientes nunca foram capazes de discernir.
Respirei fundo, contemplei minha Maçãzinha, que me ignorou completamente, evitando sequer me olhar, e saí do quarto.
Assim que acessei o corredor, deparei-me com Aayush. E, caralho, ele estava... chorando? De novo?
Imaginei que tinha acontecido algo com algum familiar dele, se é que tinha. Ou que tinha recebido um diagnóstico de que iria morrer.
Botei a mão no ombro dele e tentei ser solidário e até mesmo humano, algo que para mim era muito difícil fazer.
— O que houve, Aayush? Alguém da sua família... passou dessa para um melhor?
Ele me encarou e suspirou, limpando as lágrimas.
— Senhor Enzo, eu não quero mais trabalhar para o senhor. Estou me demitindo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...