Michael ficou me encarando, sem dizer nada.
— Você... continua vendo-o? — perguntou, quebrando o silêncio, um pouco mais calmo.
— Sim. — teoricamente eu não estava mentindo — Inclusive o vi agora mesmo... antes de voltar para casa.
— Ele... é legal?
Não muito. Na real, é bem esquisito. Mas ainda assim o homem mais lindo que já vi na vida. E nunca vou me arrepender de ter perdido a virgindade com ele. Foi a melhor experiência da minha vida.
— Sim... ele é bem legal. E... aposto que você também vai gostar dele.
Michael ficou me observando alguns segundos. Depois perguntou:
— Está... gostando dele?
Eu não sabia. Enzo me despertava mil coisas ao mesmo tempo: paixão, ódio, confusão, exaustão, fúria.
— Completamente apaixonada. Ele é o homem que procurei a vida inteira.
— Eu... quero que você seja muito feliz, Fê. E não se magoe.
Eu ri, com escárnio. Só ele que magoou. E agora se dizia preocupado com os meus sentimentos. Ninguém me feriria da forma como Michael me feriu.
— Enzo nunca me magoará.
— Enzo? O nome dele é Enzo?
— Sim.
Ah, ele nunca conheceria o Enzo. Então... tudo bem dizer o nome. E uma mentirinha daquelas não faria mal. Porque Michael parecia estar um pouco enciumado e aquilo me deixou de certa forma vitoriosa.
Mesmo que fosse ciúme de amigo, ainda assim era ciúme. Talvez Michel entendesse um pouquinho do que senti quando ele pediu Letícia em casamento na minha frente.
— Eu acho, inclusive, que ele vai me pedir em casamento em breve. — aprofundei ainda mais a mentira.
— Mas você o conhece... há um mês! — franziu a testa.
— Esta coisa de tempo... não importa para quem ama. — suspirei, na esperança de que ele visse coraçõezinhos saindo dos meus olhos.
— Quando eu vou conhecê-lo?
— Nunca.
Michael arregalou os olhos e emendei:
— Enzo... é muito tímido. E... ocupado.
— Um tímido... que transa no banheiro de uma boate?
— Ele estava chapado.
— Ele usa drogas?
— Só drogas... lícitas... tipo... Zolpidem. — inventei qualquer coisa.
— Zolpidem?
— Ele tem problemas para dormir. — caralho, a mentira só aumentava.
— Que porra de homem você encontrou?
— Um que... me ama.... muito.
Michael suspirou:
— Para... o... Enzo?
— Não é esse o nome do seu namorado?
— Na verdade... eu... não tive tempo ainda. Porque a gente... faz muita coisa que não dá tempo de falar sabe... tipo... transar... o tempo todo.
— Ah... eu... entendo.
Senti uma pontada no estômago. Ele implorava por comida. Tinha sido um dia cansativo. E, pela primeira vez na vida, ficar com Michael não foi a minha prioridade. Encher a barriga era a minha prioridade.
— Eu desejo, do fundo do meu coração, que você e Letícia sejam muito felizes, Michael.
— Mas a gente... continua sendo amigo, estou certo?
— Claro! Mas não pega bem ficarmos juntos o tempo todo. Enzo é bem ciumento.
— A Lê também — ele riu — principalmente de você.
Fingi surpresa:
— Ah, ela não deveria ter ciúme de nós dois. Você não falou que não existe a mínima possibilidade de nos interessarmos um pelo outro? Deus... ter algo com você seria como... ficar com o Will. — fiz careta.
Michael arqueou a sobrancelha, surpreso com o meu comentário.
— Preciso ir, Michael. Boa noite.
Virei as costas e entrei em casa, sem olhar para trás.
Ah, ele que fosse se foder. Com Letícia, claro! Para mim, não tinha mais espaço para Michael na minha vida.
Me rejeitou e ainda queria que eu ficasse sofrendo por ele a vida toda! Paciência tinha limite. E eu não tinha nenhuma das duas coisas: nem paciência, nem limite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO