Um corte atravessou meu coração, indo fundo e me fazendo sangrar profusamente. Sua mão caiu do meu cabelo enquanto eu me sentava.
“Nós já conversamos sobre isso. Lembra que te disse que estaria lá a cada passo do caminho e—”
“Por quanto tempo você precisa estar lá?” Era difícil não perceber o eco de angústia em seu tom.
Ele soltou um suspiro profundo, como se estivesse se preparando para dizer algo. “Apenas uma hora atrás, eu quase matei um dos nossos. Novamente.”
O quê?
“Ela trouxe minha refeição, e o tempo todo, eu não conseguia parar de fantasiar sobre como o sangue dela seria bom na minha língua. Eu podia ouvir a pressa, o pulso, tudo. E acredite em mim, Lyric; eu estava prestes a agarrá-la e cortar o pulso dela.”
Ele passou a mão pelo cabelo. “Eu nem conseguia passar muito tempo com meus filhos porque estava com medo de machucá-los. E se um dia eles estiverem comigo e eu começar a fantasiar sobre me alimentar deles?”
“Isso nunca vai acontecer. Você ama Xylon e Xyla demais para permitir que isso aconteça.”
“Bem, eu os amo com cada fibra do meu ser, mas como posso confiar em mim mesmo?” Ele balançou a cabeça. “As pessoas não merecem um monstro como eu como Rei.”
Me aproximei até poder apoiar meu peso em seus ombros. “Isso é o que Caden quer. Você realmente vai dar a ele a satisfação de vencer?
Ele balançou a cabeça. “Não se trata mais de vencer, Lyric. É sobre manter as pessoas seguras.”
“E elas estarão seguras. Você superou isso antes, lembra? O que te faz pensar que não conseguirá fazer isso em menos tempo este ano?” Deslizei minhas mãos dos ombros dele para segurar suas mãos. “Tudo que você precisa fazer é vencer o julgamento enquanto continuamos trabalhando nas vontades. Acredite em mim, você pode fazer isso. Lembre-se de que mostrou grande melhora ao longo da semana.”
Meus olhos caíram em nossas mãos entrelaçadas. “Quando estamos juntos, você sente a vontade?”
Ele balançou a cabeça.
“Ótimo. Então, eu sempre estarei com você.”
“Não é tão fácil assim.” Ele retirou a mão da minha. “Quando estou com pessoas, sempre tenho problemas para me concentrar. Tudo que consigo ouvir e cheirar é a pressa do sangue delas.”
“Então, pense em mim quando estiver com pessoas.” Estendi a mão novamente. “Apenas… me imagine como elas. Tenho certeza de que vai ajudar.”
Seu olhar encontrou o meu por alguns segundos, tão curioso e intenso. “No que exatamente devo pensar?”
Eu ri. “Não sei, meus sorrisos? Voz?”
“O que mais?” Havia um toque de diversão em seus olhos, mas ele não sorriu. Nem seus olhos se desviaram dos meus.
“Um… O dia em que nos conhecemos? Não, você estava bastante arrogante naquele dia. Não é uma boa lembrança.”
Ele riu.
“E o dia em que você percebeu que eu era bonita?”
Ele ergueu a sobrancelha, como se minha declaração fosse engraçada.
Tentei soltar suas mãos e percebi que agora era ele quem me segurava.
“E isso?” Ele perguntou suavemente.

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