O olhar de Margarida tinha um peso particular enquanto ela apontava diretamente para Augusto e Leonor, lançando sua pergunta com um tom que reverberou pelo auditório inteiro.
Afinal, se estava dizendo a verdade sobre ter se casado com Vicente há mais de duas semanas, toda aquela onda de boatos sujos que começaram nas redes sociais simplesmente não fazia o menor sentido. Na época em que tudo explodiu, Augusto e Leonor já sabiam que Margarida era oficialmente sua cunhada. Mesmo assim, seguiram espalhando mentiras e difamação, não apenas contra Margarida, mas deliberadamente jogando Vicente na mesma lama.
Não era segredo em Santarino que a família Almeida estava longe dessa paz aparente. Muitos já desconfiavam há tempos de que Marina, com seu jeito de madrasta boazinha, só mantinha as aparências. Agora, diante de todos, aquela suspeita se confirmava sem que restasse espaço para dúvida.
Os jornalistas, que tinham ficado desnorteados com tanta confusão, logo começaram a recuperar a compostura e, dessa vez, transformaram Leonor e Augusto no novo centro das atenções.
E no meio da plateia, Marina se encolheu sob aquele julgamento mudo, o rosto tenso e pálido como nunca.
Enquanto isso, Augusto parecia alheio ao estrago à sua volta. Na mente dele, só martelava aquela palavra de "cerditão de casamento". Repetia-se sem parar, perturbando como se fosse uma afronta pessoal.
Era mentira. Só podia ser. Não podia aceitar outra realidade. Segundo Augusto, tudo aquilo só podia ser um teatro absurdo. Ele sempre acreditou que Vicente só devia um favor a Margarida, e que o coração dela batia por ele, Augusto. Um casamento entre Vicente e Margarida não fazia sentido, não na cabeça dele.
Sem se conter, Augusto avançou e disse com a voz cheia de tensão:
— Admita logo que tudo isso é invenção sua!
— Não, Augusto. O que estou dizendo é a verdade. — Margarida respondeu, fria, cruzando o olhar com ele sem um pingo de hesitação.
O rosto de Augusto já estava duro, os olhos carregados de uma raiva mal contida.
— Margarida, para de tentar me tirar do sério com essas mentiras!
Margarida sorriu, mas não era um sorriso gentil, era de puro deboche.
Augusto travou onde estava, respirou fundo para se recompor e forçou um sorriso educado atrás da máscara habitual.
— Sr. Vicente, não leve a mal. Me preocupei com Margarida hoje, achei que o melhor era levá-la para descansar e não comprometer a sua imagem. Sem contar que, no fim das contas, Margarida ainda faz parte da família Carvalho. De todo modo, não quis trazer para você problemas que não te dizem respeito.
Cada palavra vinha medida, Augusto tentando com isso separar à força Margarida de qualquer vínculo com Vicente na frente de todos.
Só que Vicente não se moveu um centímetro. Caminhou na direção deles com uma calma glacial, firme e decidido, parando ao lado de Margarida.
Então, tirou do bolso a certidão e ergueu para todos verem, com um gesto preciso.
— Minha esposa está ótima, não precisa de descanso e, sinceramente, nunca seria motivo para comprometer a minha imagem. E para deixar tudo mais do que claro, Margarida é minha mulher. Sr. Augusto, talvez fosse melhor cuidar da sua própria vida, porque se meter onde não é chamado não vai te levar a lugar nenhum.

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