À frente de Margarida, Leonor simplesmente não era páreo e ficou reduzida a nada, como se todo seu brilho tivesse sido apagado em um instante.
Essa era a sensação coletiva entre todos ali presentes; até Luísa, que sempre olhava Margarida com desprezo, subitamente pareceu enxergar a filha com outros olhos, surpresa, como se descobrisse sua luz pela primeira vez.
Mas esse clima foi quebrado quando Augusto se aproximou a passos largos, parou na frente de Margarida e falou num tom duro, incapaz de esconder sua irritação:
— Quem te mandou aparecer assim vestida? Você acha que pode fazer o que quiser?
Assim que terminou de falar, ele tentou puxá-la para trás do palco, claramente querendo impedir que os outros continuassem olhando.
No entanto, Margarida, serena, recuou discretamente antes que ele a tocasse, fugindo do gesto sem perder a compostura. Com toda calma, respondeu com firmeza:
— Augusto, visto o que eu quiser. Não preciso da sua permissão, nem quero ouvir seus palpites.
Leonor, que já vinha perdendo o controle, apertou ainda mais o braço de Augusto e entrou na conversa, cuspindo as palavras repletas de ciúme e amargura:
— Não precisa? Olha só para você, se vestindo igual uma exibida sabendo que hoje é o meu dia! Eu sou a protagonista do evento, todo mundo sabe disso! O Augusto só está certíssimo em te colocar no seu lugar.
Até Margarida aparecer, Leonor realmente reinava absoluta, sendo o centro das atenções. Só que a chegada de Margarida mudou tudo, pois os olhares passaram a segui-la por onde ia. Era impossível não perceber os comentários baixinho, quase em tom de fofoca:
— Sério, o Augusto deve ser cego para preferir a Leonor e ignorar a Margarida desse jeito.
O que mais machucava Leonor era saber que muitos achavam seu vestido caro e famoso, mas mesmo assim dizendo que "nem chega aos pés do detalhe de seda que a Margarida está usando".
No fundo, ela sabia que o vestido era verdadeiro; talvez por isso o incômodo fosse ainda maior. Todo mundo conhecia a tradição daquela seda, feita à mão, levando meses ou até anos para ficar pronta. O vestido da Margarida era de cair o queixo, mas era impossível aceitar que justamente a enteada preterida da família estivesse usando algo tão exclusivo.
Margarida, tranquila, apenas soltou uma risadinha antes de dizer:
— Sabe o que é, Leonor? Acho que você só conhece a ponta do iceberg sobre mim.
Depois, ela continuou num tom provocador:
— Para falar a verdade, eu até achei que a herdeira da família Almeida podia se sair melhor no bom gosto. Pelo visto, me enganei. Então, Leonor, tenta caprichar mais na próxima festa. Assim, talvez, não precise ficar aí, toda incomodada, olhando para mim como se fosse me engolir.
No fundo, todo esse show de ciúme era só mais um sinal de que, por mais alto que Leonor gritasse, ela tinha perdido no quesito que mais se importava. No final, foi o vestido de Margarida que ganhou a noite e deixou Leonor ainda mais insegura diante de todos.

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