— Vicente, já chega, né? Pelo menos hoje, que é a primeira visita do Augusto à nossa casa... Se não quer me dar esse respeito, ao menos respeite seu pai. Não faz confusão, por favor! — Implorou Marina.
Ela não aguentou ouvir mais os ataques frios e afiados de Vicente contra Augusto e não queria que ele estragasse o clima, principalmente porque o humor de Augusto já estava azedando.
Mas Vicente permaneceu impassível, como se a ansiedade de Marina e a mudança de expressão de Augusto não passassem de dois palhaços em cena diante dele. Com os dedos longos, ele batucou levemente na mesa e falou:
— Na verdade, achei que seriam vocês a fazer o espetáculo aqui hoje.
— Do que você está falando, Vicente? — Marina forçou um ar de confusão, fingindo não entender. — Tem certeza de que não está se deixando levar por conversa fiada de gente querendo causar intriga?
Por dentro, Marina sabia exatamente a que ele se referia, pois era todo o escândalo online. Afinal, foi ela quem orquestrou tudo, bancou robôs e notas pagas, e ainda exigiu que Augusto desse o apoio necessário. Mas seria muito amadora confessar logo de cara.
Então, ela continuou num tom de voz cheia de falsa preocupação:
— Vicente, tem gente ruim nesse mundo, que adora criar problema e colocar fogo onde não precisa. Só não vá cair na pilha errada e acabar culpando a família à toa.
— Não tem mal-entendido nenhum. Vocês três querem destruir a Margarida porque não querem que eu cobre a Leonor pelo que ela fez. — Vicente se recostou na cadeira, olhando com firmeza para Marina. — Vocês estão por trás dessa avalanche de mentiras contra Margarida só porque fui eu que expus a sujeira da Leonor, e você tem medo de que eu insista nisso. Por isso, resolveram cortar o mal pela raiz. Sinto te dizer, Margarida não vai cair por vocês, e quanto à Leonor, você não vai conseguir proteger ela.
— Marina, acabei de responder essa do Augusto, mas vou repetir só mais uma vez para você.
Minha mãe só teve um filho: eu. Leonor não é minha irmã. Você aproveitou a doença da minha mãe depois do meu sequestro, se enfiou nessa casa, teve seus dois bastardos, e durante todos esses anos bancou a dama perfeita só de fachada. Na verdade, sempre ensinou seus filhos a me chamar de bastardo, e eles cresceram achando que são o sangue puro da família Almeida, como se você também fosse a única dona. Você acha mesmo que vou deixar vocês brincarem de família para sempre? Ou seja, quando o Guilherme morrer, o que acha que vou fazer com vocês três? E o que acham que vão conseguir de mim?
O silêncio caiu com peso de chumbo. Ninguém ousou responder.
Marina ficou paralisada, olhos arregalados, sem acreditar que Vicente teve coragem de jogar na mesa, tão friamente, tudo aquilo que por anos ninguém se atrevia a dizer em voz alta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada