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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 54

— Eu sei, não estou com medo. Só estou um pouco com frio... — Margarida tentou responder a Vicente com esforço, mas talvez fosse o silêncio que a cercava ou simplesmente a presença dele que a fazia se sentir mais protegida. Depois de alguns segundos, ela forçou um sorriso amargo e murmurou baixinho. — Sr. Vicente, eu realmente não entendo como as coisas chegaram nesse ponto. Ontem mesmo ainda te disse que o Augusto só queria fazer cena... nunca imaginei que, dessa vez, ele estivesse disposto a acabar comigo de verdade... Mas eu não sou nada do que estão dizendo na internet. É verdade, eu namorei o Augusto por três anos, mas nunca tentei seduzi-lo...

Agora, por conta da história da empregada e das palavras do Augusto, todos online a tratavam como alguém desprezível.

Margarida não queria de jeito nenhum que Vicente também a visse assim, como uma mulher ruim.

— Sr. Vicente, olha... eu fui eu que sugeri o nosso casamento, é verdade, mas nunca tive intenção de te prejudicar, de usar você... Nunca quis nada de mal...

— Marga. — Naquele instante, Vicente interrompeu o desabafo forçado dela, segurando com cuidado a nuca de Margarida e olhando bem nos seus olhos, sério. — Eu nunca achei que você fosse uma pessoa ruim, nunca desconfiei das suas intenções. E mesmo se, em algum momento, você realmente quisesse conquistar alguma coisa comigo, somos marido e mulher, não faz diferença. Tudo o que eu tiver, para você vai ser de bom grado.

Quem inventou que mulher tinha que ficar com um homem sem querer nada em troca, sem desejar nada, sem pedir nada? Toda mulher podia querer dinheiro, status, podia querer poder também. E se não consegue, só provava que o homem não era digno o suficiente.

Margarida ficou em silêncio. Toda a dor que carregava, a pressão de estar prestes a desabar, parecia enfim se apaziguar diante daquela resposta.

Ela nunca imaginou que choraria na frente de Vicente, mas naquele instante as lágrimas simplesmente vieram, sem que conseguisse controlá-las, como se finalmente pudesse lavar toda a mágoa que a sufocava há tanto tempo.

Vicente pareceu entender, seus olhos se suavizaram, e ele acenou com um leve sorriso.

— Tudo bem. Seja lá o que você decidir fazer, estou do seu lado.

— Obrigada. — Margarida piscou os olhos úmidos e, já pensando em como iria revidar, ainda olhou de lado para Vicente, um pouco insegura. — Mas Sr. Vicente, agora que casamos oficialmente, se eu causar confusão demais, você não vai se meter em encrenca por minha causa? Não vai achar que sou rancorosa demais?

— Nem um pouco. — Vicente sorriu de leve, passando os dedos pelos cabelos dela. — Não sou nenhum santo, minha história está cheia de altos e baixos, de manchas que ninguém vê. Nada do que você fizer vai mudar quem eu sou. No fim das contas, tudo o que construí até agora foi para proteger aqueles que amo e quero ter por perto quando as tempestades vierem.

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