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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 43

Na certidão de casamento, estava tudo lá, com letras pretas no papel branco, o selo oficial do país e as fotos do casal, tudo impecável como manda o figurino.

Ao lado de Vicente, com um sorriso discreto nos lábios e traços delicados no rosto, estava Margarida. Não tinha como ser outra pessoa.

E foi então por conta desse casamento que Vicente parecia outro hoje? O gelo que sempre o envolveu finalmente derreteu, e até parecia que todo mundo também tinha encontrado um motivo para comemorar naquele dia.

Mas como isso pôde acontecer? Era mesmo possível?

Lorenzo levou um susto tão grande que abriu bem os olhos, sem acreditar no que via.

— Vicente, você... você casou com a Margarida?

Afinal de contas, o passado de Margarida estava longe de ser comum.

Vicente guardou o certificado, encarando Lorenzo de modo direto.

— Fala logo o que você quer dizer com isso.

— Não é nada... — Respondeu Lorenzo, abaixando a cabeça, a voz sumindo aos poucos. — Só para deixar claro, eu sei que a Margarida é amiga íntima daquela Teresa insuportável, mas nunca tive nada contra ela. Só que, Vicente, você lembra que ela já teve um lance com o Augusto? E olha só, daqui a poucos meses, o Augusto vai ser seu cunhado! Você realmente não sente nada estranho nisso? Fala sério, não é por causa daquela dívida antiga? Vicente, me diz a verdade. Será que a Margarida te forçou a casar, usou aquela história para te pressionar? Ou será que está querendo se aproveitar de você?

Todo mundo sabia o peso do nome Vicente em Santarino. Durante todos esses anos, não faltaram mulheres querendo ocupar o lugar ao lado dele.

Lorenzo lembrava bem de como, nas conversas anteriores sobre Margarida, Vicente nunca tinha dado a entender que havia algum sentimento ali.

Talvez Lorenzo nunca fosse aceitar a ideia de que o Vicente, sempre frio e distante do mundo, um dia foi consumido pelo ciúme.

Não era o passado da Margarida com Augusto que perturbava Vicente; o que realmente incomodava era ver alguém como Augusto, com toda sua falsidade e sombras, desfrutar da luz radiante que era Margarida, alguém capaz de aquecer e transformar até o mundo mais escuro.

Pior ainda quando Augusto, dono de tanta sorte, nem sabia dar valor e, ao buscar outro casamento, matou o último brilho de esperança de Margarida.

Por isso, Vicente nunca se sentiu culpado por lutar pelo seu lugar, nem quando precisou disputar ou arrancar com as próprias mãos essa chance.

Ignorando o choque no rosto de Lorenzo, Vicente deixou o olhar ainda mais profundo e continuou: — Quando passei meu número para Margarida, há treze anos, fiquei esperando todo esse tempo para ela me procurar. E quando, finalmente, ela ligou. Mesmo estando no trabalho, larguei tudo e fui correndo. Fui eu quem tirou ela das garras da família Carvalho. Conversamos muito dentro do carro. Quando soube que ela tinha terminado com o Augusto, entendi que minha hora tinha finalmente chegado. Pedi ao Marcos para cuidar dela e deixei claro para ela que eu precisava de alguém ao meu lado. Só queria que ela se aproximasse, para eu poder protegê-la de tudo, para ninguém mais se atrever a fazer mal a ela. Por fim, escutei da boca dela que queria se casar comigo. Forcei a calma, dei sete dias para ela pensar bem. Decidi que, se ela mudasse de ideia, eu aceitaria. Mas passaram sete dias e nenhum contato dela. Achei que ela tinha se arrependido... No fim, fui eu quem mais se arrependeu, fiquei furioso comigo mesmo por dar tanto tempo para ela pensar.

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