— É mesmo? — Vicente desviou os olhos levemente na direção de Margarida, sua voz soando séria e calma. — Mas a verdade é que o que ela falou não estava totalmente errado. Temos um acordo, mas também estamos realmente casados. Então, como parceiros, eu também tenho a responsabilidade de cuidar das suas necessidades.
Margarida ficou completamente sem palavras por alguns segundos. Porque, diante da forma direta e sincera com que Vicente tratou o assunto, sentiu uma familiar onda de calor subindo por seu corpo. Mas dessa vez, não era nos pulmões, e sim ali, no coração, bem no centro de si.
Desviou o olhar, incomodada, chegando a pensar em abrir a janela do carro para deixar o ar circular, mas antes que pudesse fazer isso, ouviu novamente aquela voz meticulosa de Vicente:
— Na sua opinião, quantas vezes por dia seria adequado?
O susto foi tanto que Margarida quase deixou a mão escorregar e, sua cabeça quase bateu no vidro da janela.
— Eu... senhor Vicente... acho que esse tipo de coisa é melhor discutirmos em outro momento, não? Não quero te incomodar agora.
A verdade é que, mesmo depois de três anos de namoro com Augusto, que sempre foi um homem refinado e cuidadoso, ela nunca tinha conversado sobre esse tipo de coisa. Margarida, no fundo, não fazia ideia do que responder.
Vicente apenas soltou um leve riso abafado no peito e, olhando para ela, que ainda gaguejava nervosa ao ponto de quase tropeçar nas próprias palavras, disse com um tom carregado de significado:
— Tudo bem. Quando tiver decidido quantas vezes por dia, me avise.
Ela não respondeu, mas finalmente conseguiu abrir a janela do carro e deixou a brisa fresca bater em seu rosto e tentar, inutilmente, baixar o rubor intenso que tomava conta de sua pele.
Só depois de um tempo, meio zonza, Margarida percebeu que Vicente pareceu abrir um sorriso, ou será que foi ilusão?
Mas não teve tempo de pensar direito nisso, pois logo chegaram à entrada do cartório.
— Ficou perfeita em você. — Vicente olhou para Margarida, sua expressão carregada de atenção e até certa doçura.
Ela se surpreendeu, mas logo entendeu que ele falava da aliança. Então devolveu o sorriso, envergonhada.
— E esse anel ficou incrível em você também. — Disse Margarida, olhando para ele.
Não era gentileza. Quando ela viu o anel masculino, achou meio simples demais. Mas, no dedo longo e elegante de Vicente, parecia feito sob medida, realçando ainda mais aquela aura fria e intensa tão única dele, e algo dentro dela ficou ainda mais mexido.
Com tudo finalizado, com a certidão de casamento em mãos, Margarida quase sem perceber acabou perguntando, instintivamente:
— Sr. Vicente, você acha que devemos anunciar nosso casamento para todo mundo agora?

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