Por mais ousada que fosse, ver Teresa gargalhando sem parar pelo celular deixou Margarida completamente sem palavras. Era a primeira vez que não fazia ideia de como começar.
— Teresa, eu e o Vicente estamos entrando num casamento por puro interesse, cada um no seu propósito. Para falar a verdade, nem sei se vou conseguir sustentar o papel, tenho medo de virar um peso para ele.
Na verdade, a última coisa que Vicente disse naquele dia tinha ecoado como um alerta para ela. Até então, Margarida só pensava em oficializar logo o casamento, sem refletir em como os dois iriam conviver dali por diante.
Mesmo assim, será que era tão difícil assim lidar com isso?
Teresa revirou os olhos, impaciente do outro lado.
— Pelo amor, Margarida! Se vai casar, pelo menos trate o cara de verdade como seu marido! Entrega de corpo e alma, se joga! Deixa esse amor acontecer de verdade!
— Mas, Teresa... O que eu e o Vicente temos não passa de um acordo, pura encenação. — Margarida respondeu num tom baixo, meio sem confiança. — E, para falar a verdade, não quero mais amar ninguém desse jeito.
Durante toda a vida, Margarida havia dado tudo de si a Augusto. No fim, só colheu traição e humilhação.
Por isso, não queria e nem conseguia entregar de novo o próprio coração, dando a qualquer um o poder de machucá-la.
Desde criança, quando foi morar com Luísa na família Carvalho, Margarida percebia que a mãe só tinha olhos para Carlos; mesmo se sentindo infeliz naquela casa, nunca reclamava, sempre tranquilizava a mãe. No fim, Luísa mal enxergava a filha, só pensava nela mesma.
Depois, com Augusto, continuou sendo compreensiva, escondendo o desconforto mesmo vendo o namorado fingir aos outros que era solteiro, perdoando, não fazendo escândalo, só para não sujar o nome da família Carvalho. E Augusto, com o tempo, foi deixando Margarida de lado a ponto de cogitar transformá-la apenas numa amante.
Por isso, um homem como Vicente, que, ao assumir, fez questão de oficializar tudo, planejar casamento como deve ser, era infinitamente mais digno do que quem só desprezava.
Mas quando Teresa olhava para o passado, admitia que já havia pensado um dia que Augusto respeitava Margarida, até porque, nos treze anos em que ela viveu com a família Carvalho, teve dias em que as empregadas destratavam Margarida e Luísa, enquanto Carlos simplesmente ignorava. Já Augusto, em algumas vezes, chegou a defender Margarida, a ponto de mandar duas funcionárias embora só para protegê-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Amante que Virou Cunhada