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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 28

— Augusto, nós não somos iguais a vocês! — Declarou Lorenzo, saindo do cômodo interno com as mãos enfiadas nos bolsos e o semblante carregado. — Tudo bem que ambos os casamentos foram arranjados, mas eu não sou esse tipo de canalha sem vergonha que brinca com o sentimento dos outros. E a Teresa também não é como a Leonor, essa bruxa venenosa e repulsiva. Então pare de bancar a vítima de maneira forçada e provocar a ira de todo mundo.

A fala de Lorenzo, tão direta e sem rodeios, atingiu Augusto em cheio. Ele cerrou o maxilar, com vontade de responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, notou novas silhuetas que vinham surgindo devagar.

Eram os policiais, que acompanhavam Margarida e Vicente, ambos já com roupas limpas. Ainda demonstrando certa fraqueza por ter caído no mar, Margarida estava pálida e sem cor nos lábios. Seu corpo magro tremulava e, de vez em quando, ela soltava uma tosse abafada, provavelmente por ter engasgado com água salgada.

Num impulso quase inconsciente, Augusto deu um movimento para avançar até ela. Porém, no mesmo instante, Vicente o encarou com um olhar tão gélido e distante que congelou qualquer tentativa de aproximação.

Leonor, por sua vez, apertou a mão de Augusto, revelando certo temor diante de Vicente.

Percebendo o estado de Margarida, Teresa correu até ela de olhos marejados.

— Margarida, você está bem? Talvez devêssemos ir direto ao hospital, não acha?

— Não posso. Primeiro preciso resolver tudo na delegacia. — Respondeu Margarida, com uma voz fraca e rouca, balançando a cabeça em negativa. — Aconteceu algo muito grave hoje no barco, e até o Sr. Vicente foi envolvido. Com certeza o Santarino inteiro deve estar em polvorosa neste momento. Preciso colaborar com os policiais, esclarecer os fatos e acalmar as pessoas.

Ao terminar de falar, Margarida ergueu o olhar na direção de Vicente, com olhos tão límpidos que ele sentiu um leve estremecimento.

Havia algo na atitude dela que parecia esconder um plano sutil, e essa impressão arrefecia a expressão de Vicente de forma quase imperceptível.

Já Teresa, sem notar nada de diferente, apenas demonstrava aflição:

Vicente, porém, manteve o semblante incrivelmente inexpressivo. Seu belo rosto parecia coberto de gelo, e seu olhar fuzilava Augusto como navalhas.

— Desde quando o Grupo Almeida precisa da interferência de gente de fora?

Ao dizer isso, Vicente moveu levemente a ponta dos dedos, sugerindo que talvez chamasse alguém.

Mas, naquele segundo, quando ele finalmente ia erguer a mão, sentiu que Margarida entrelaçava com cuidado os dedos nos seus, segurando-o com delicadeza. Poderia ser um gesto sutil, mas foi o bastante para interrompê-lo.

— Quanto ao Grupo Almeida... — Falou Margarida, entreabrindo os lábios pálidos. — Não precisamos de gente de fora. Mas também não convém fazer a polícia esperar. Aliás, senhores policiais, imagino que terei de apresentar meus documentos para o registro do depoimento, estou certa?

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