Num piscar de olhos, o perigo estava prestes a explodir!
Sete ou oito homens de feições ameaçadoras avançaram, roçando as palmas das mãos e prontos para o que viesse. O que parecia ser o líder, ansioso demais, chegou a desabotoar o cinto, mas Margarida continuou parada no lugar sem nem sequer erguer uma das sobrancelhas.
Afinal, era impossível não notar. Com essa mania de criar armadilhas, Leonor sempre parecia esquecer o óbvio.
Da última vez, na família Carvalho, Margarida já havia recorrido à polícia para escapar. Pois bem, se Leonor queria agora ameaçá-la no meio do mar, como ela não pensou primeiro em lhe tomar o celular? Verdade, a polícia não estava no mar, mas havia outras pessoas circulando por aí, não é?
Portanto, quando Margarida percebeu que algo estava fora do normal, levou a mão discretamente às costas e ligou para Teresa, pedindo socorro. Logo depois, tentou ganhar tempo com pequenas manobras de conversa. E, como era de se esperar, agora se ouvia ao longe o rumor apressado de passos se aproximando.
Margarida se endireitou, pronta para falar alguma coisa, mas no instante em que as palavras lhe vieram à boca, o olhar de Leonor e suas ameaças venenosas reverberaram na memória dela, a fazendo hesitar por um segundo.
"Margarida, eu já te armei duas vezes. Na primeira, lá na família Carvalho, você usou a polícia para dar um fim na armadilha. Mas aqui em alto-mar, vai chamar quem, hein? A polícia?"
Sim, chamar a polícia!
Esse ainda era o melhor plano, simples e direto.
Porque, embora os policiais não pudessem punir Leonor por completo, eles ao menos ajudariam Margarida a recuperar seus documentos.
Naquele momento, o maior desafio de Margarida era não deixar que tudo acabasse antes mesmo de começar. Como da outra vez, quando Leonor tinha usado o status que possuía para encobrir a história, impedindo que o boletim de ocorrência fosse adiante.
Mas como fazer as coisas crescerem de um jeito que nem a própria Leonor pudesse mais conter?
Teresa, porém, ao ver aquela expressão cínica, sentiu o sangue ferver ainda mais.
— Como assim você não tem qualquer responsabilidade? Leonor, acha que eu não sei de nada? Foi você que encurralou Margarida e forçou ela a pular!
Até agora, bastava Teresa se lembrar da cena de pouco mais de uma hora atrás para sentir o coração gelar de pavor. Ela de fato acreditava que, ao tirar todas as amigas socialites de perto de Margarida, a estava protegendo, sem imaginar que Leonor tramaria para afastar todo mundo e deixar Margarida isolada.
Quando recebeu o chamado de Margarida e correu para pedir ajuda, a primeira coisa que Teresa viu foi seu vulto frágil desaparecendo nas águas escuras do mar.
Foi tão chocante que ela quase desmaiou. Naquele mesmo instante, Vicente, como se não pudesse esperar nenhum segundo, também saltou ao mar e conseguiu encontrar Margarida antes que as ondas noturnas a engolissem para sempre.

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