Luísa encarou Margarida com seriedade enquanto assumia seu papel de mais velha para educá-la.
— Margarida, seja uma boa menina. Quando voltarmos ao salão, você vai se desculpar com Carlos por conta própria e puxar Vicente para oferecer chá e chamá-lo como sogro. Depois que o Grupo Almeida e o Grupo Carvalho restaurarem a cooperação, não fique criando problemas entre eles. Já que se casou com Vicente, precisa ser uma boa esposa para ele. Quando mulheres ficam influenciando os homens em questões importantes de negócios, as pessoas vão pensar que eu, como mãe, não te eduquei direito. — Disparou Luísa, sem parar.
Margarida permaneceu calada, sabendo que Luísa ainda não havia terminado.
Como esperado, Luísa logo começou a falar sobre Augusto:
— Margarida, Augusto vai ficar noivo de Leonor oficialmente em breve. Embora vocês tenham tido alguns problemas antes, vocês são tecnicamente cunhados dele, então precisa convencer Vicente a ser mais tolerante. Leonor tem gênio forte, então seja mais compreensiva com ela, afinal ela é filha da família Almeida e tem muito mais capacidade que você.
O relacionamento entre Augusto e Leonor andava estranho ultimamente. Luísa ficava ansiosa observando a situação, querendo ajudar a mediar, mas sem saber como, então só conseguia pressionar Margarida.
Afinal, Margarida agora era esposa de Vicente, e se ela conseguisse influenciá-lo positivamente, ambas as famílias ficariam satisfeitas.
Enquanto falava, Luísa tentou pegar a mão de Margarida. Pelos dois homens da família Carvalho, ela realmente estava fazendo de tudo.
Mas quando a mão de Luísa quase tocou as pontas dos dedos de Margarida, ela já havia escondido as mãos atrás das costas enquanto curvava os lábios num sorriso frio.
— Dona Luísa, numa hora você me diz para não influenciar Vicente, noutra me pede para influenciá-lo mais. Realmente conseguiu cobrir todos os ângulos possíveis.
— Margarida, já faz tanto tempo, você ainda não superou essa fase rebelde? Eu realmente fui importunar o Sr. Guilherme, mas se você não fosse tão insensível, eu precisaria ter coragem de ir até ele? Por mais que seja, sou sua mãe biológica e nunca te abandonei. Por que insiste em me tratar como inimiga?
Por quê?
Margarida ergueu os olhos para Luísa e depois de um momento deu uma risada, parecendo ainda mais perdida que a própria Luísa sobre a resposta.
— Dona Luísa, não foi você quem começou a me tratar como inimiga? Desde os oito anos, quando me trouxe para a família Carvalho, você sempre me ignorou e me escondeu. Eu era claramente sua filha, mas parecia uma mancha deixada por algum erro seu. Quando vinham visitas na família Carvalho, você me mandava me esconder para não aparecer. Quando outras senhoras vinham fazer visitas sociais, você me trancava no quarto mandando eu ficar quieta. Uma vez aquelas damas quiseram fazer uma festa e você passou o dia inteiro preparando doces para elas, mas esqueceu que eu estava trancada no quarto o dia todo, tendo que matar a sede com água da torneira do banheiro.

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