— Margarida, você não pode ficar aqui no hospital. A Leonor se desestabiliza só de te ver. — Ordenou Augusto com aquela autoridade de sempre, puxando-a de repente para o canto. Segurou firme o pulso de Margarida, com o rosto sério e tenso. — Você precisa sair daqui. Agora.
Ela hesitou por um momento antes de sorrir, mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Augusto, parece que não importa a situação, você sempre vai colocar a Leonor em primeiro lugar mesmo.
Era igual ao Lorenzo, que sem investigar direito os fatos, simplesmente decidiu que Teresa era culpada por machucar Nanda. E agora Augusto, sem pensar duas vezes, queria que Margarida sumisse da vista de Leonor para ela poder se recuperar em paz.
Que maravilha. Aqueles dois eram realmente homens exemplares, únicos no mundo, cheios de sentimento e lealdade.
Margarida o encarou com sarcasmo antes de responder:
— Sr. Augusto, pode ficar tranquilo. Você quer que eu vá embora, e eu também não faço questão de ficar. Saí do quarto justamente para providenciar a alta. Afinal, como sua cunhada e da Srta. Leonor, como eu teria coragem de atrapalhar o romance apaixonado de vocês aqui no hospital?
— Margarida, não fala por raiva... — Augusto franziu a testa ao ver a frieza dela, sabendo que suas palavras tinham sido ambíguas e que ela havia entendido errado, mas poderia explicar depois. Por ora, suspirou e continuou. — Margarida, para de se chamar de minha cunhada e não fica se colocando na posição de parente mais velha. Não gosto de ouvir essas coisas.
Mesmo sabendo que Margarida e Vicente tinham um casamento falso, Augusto não queria que ela ficasse sempre enfatizando esse ponto. Ao lado de Margarida, do começo ao fim, só havia ele. Embora agora tivesse aparecido Vicente, esse homem estava destinado a ser apenas um passageiro.
Margarida olhou para Augusto sem conseguir falar nada, realmente não querendo continuar aquela conversa. No momento seguinte, puxou a mão com força, se virou e saiu rapidamente sem olhar para trás.
— Não dizem respeito a mim? — Vicente repetiu com um riso de escárnio, pronunciando cada palavra bem devagar. — A Marga é minha esposa, com quem já tenho certidão de casamento.
— É verdade, Margarida se casou com você no papel, mas se ela é realmente sua esposa, isso nós dois sabemos muito bem. — Augusto raramente sorriu para Vicente, sua voz suave cheia de certeza. — Vicente, embora você não tenha falado nada, eu sei que você e Margarida não têm uma relação matrimonial de verdade, então eu ainda não perdi.
Ele acreditava que Margarida, mais cedo ou mais tarde, voltaria para o lado dele.
Ouvindo isso, Vicente ergueu o queixo, olhando Augusto de cima para baixo. Depois de um bom tempo, justo quando Augusto pensou que Vicente ia explodir de raiva, inesperadamente Vicente apenas curvou os lábios, mas a curva sutil estava cheia de desprezo.
— Não, Augusto, você perdeu há muito tempo. Desde o momento em que decidiu se casar com a Leonor, desde quando machucou a Margarida por causa dela, desde quando a Margarida te deu uma última chance, mas você ainda assim ficou do lado da Leonor. Desde então, você já perdeu completamente.

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