— Lorenzo, está doendo tanto... — Nanda levou a mão ao peito, lutando para respirar, com o olhar carregado de sofrimento e aquele tom de vítima que sabia usar tão bem.
Logo depois, como se tivesse sido invocado, o som apressado de passos ecoou no corredor, com uma voz masculina precipitada e cheia de preocupação.
— Nanda, o que aconteceu? Teresa, o que foi que você fez? Eu já não tinha avisado que a Nanda não está bem de saúde? — Lorenzo apareceu às pressas, interpretando a cena do seu ponto de vista. Para ele, parecia que Teresa tinha mesmo empurrado Nanda no chão.
O ambiente ficou pesado num silêncio.
Mesmo já esperando aquele teatrinho de Nanda, Margarida não conseguiu evitar um aperto de raiva ao ver a reação tão imediata e tão cega de Lorenzo.
Mas, pensando em Teresa, ela se conteve e tentou tomar a iniciativa para explicar.
No entanto, antes que conseguisse abrir a boca, sentiu a mão de Teresa segurar a sua.
Dessa vez, Teresa, conhecida pelo temperamento explosivo e pela sinceridade desarmada, encarou tudo com uma serenidade impressionante. O rosto dela estava frio, e, pela primeira vez, olhou para Lorenzo sem nenhum traço de calor nos olhos.
— Lorenzo, nem pergunta nada, já chega dizendo que fui eu quem machucou a Nanda?
Por um instante, Lorenzo hesitou, sem saber como responder e, ao encarar o semblante de Teresa, seu olhar perdeu a firmeza.
— Eu... Eu vi com meus próprios olhos. Você empurrou...
Teresa, então, não disse mais nada. O olhar dela já dizia que não pretendia gastar energia se explicando.
Como Teresa se calou, quem não conseguiu se conter foi Margarida. Ela apertou a mão da amiga e deu um passo à frente.
O impacto foi imediato. Todos se voltaram, e Margarida não precisou nem olhar para saber de quem era a voz. Era Vicente, parado no fim do corredor, com os olhos escuros cravados nela.
Chegou, se aproximou devagar, examinando a cena confusa, pessoas em pé, outras no chão. Mas seu olhar era só para Margarida. Quando parou ao lado dela, enfim voltou sua atenção para Lorenzo e, com um tom pesado como uma sentença, disse:
— Você está falando quem vai pagar pelo quê?
Tomado pelo medo, Lorenzo perdeu toda vontade de continuar argumentando.
Sua raiva tinha sido só um impulso, mas não esperava por uma presença como a de Vicente.
Ainda tentou começar uma defesa tímida, mas Vicente já não lhe dava atenção.

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