— Teresa, tenta não pensar tanto nisso agora, tá bom? O mais importante é você se cuidar. — Margarida falou com um tom cheio de carinho.
— Eu sei. — Teresa respondeu com um esforço visível, tentando puxar um sorriso enquanto olhava para Margarida. — Vem comigo, por favor. Eu não quero mais ficar nesse hospital.
Só que, do jeito que Teresa estava, claramente ainda não era hora dela sair de alta.
Margarida até pensou em convencer a amiga a ficar, mas bastou olhar nos olhos de Teresa, tão cheios de lágrimas, para mudar de ideia.
— Está certo, a gente vai embora. Vou te levar para casa agora, chega de hospital. — Disse Margarida, segurando a mão dela com força, já pronta para arrumar as coisas.
Antes de sair do quarto, Margarida notou, pelo canto do olho, Lorenzo parado um pouco afastado, extremamente pálido, parecendo querer se aproximar.
Mas, com aquela garota ao lado puxando insistentemente sua camisa, ele nem conseguiu dar um passo. Sem se importar, Margarida foi direta, fechando a porta na cara dele sem hesitar.
De repente, aquele clima tenso e barulhento se desfez, trazendo de volta o silêncio ao corredor.
Marcos, que preparava uns lanches no quarto, percebeu o clima pesado quando Margarida e Teresa entraram e, com jeito, preferiu sair sem dizer nada.
Quando a porta fechou, as lágrimas de Teresa, que ela tanto lutou para segurar, simplesmente vieram, silenciosas no começo, mas logo seu rosto já estava inteiro molhado.
— Margarida, não é mal-entendido. Não é porque estou imaginando coisa ruim, a verdade é ainda pior do que consigo suportar! — A voz dela quase se perdeu. — Aquela garota do lado do Lorenzo, eu conheço. Ela foi o primeiro amor dele.
Margarida ficou paralisada, a mão com o lenço suspensa no ar, sem reação.
— O quê? Primeiro amor? — Ela perguntou, quase sem acreditar.
Teresa confirmou com a cabeça, os olhos vermelhos fechando devagar, como se não quisesse encarar aquela realidade.
— É isso mesmo. Então, quando você disse que o Lorenzo não fica por aí com qualquer uma, você estava certa. Porque, para ele, só existiu uma, desde sempre, e essa pessoa é a Nanda. Você lembra que conheci o Lorenzo por causa do irmão dele, né? E, desde aquela época, sabia que ele namorava uma colega da faculdade. Dizem que foi o próprio Lorenzo que correu atrás da Nanda. Quando começaram a namorar, ele tratava ela como se fosse a coisa mais importante do mundo. A Nanda tem um problema no coração, é de família, e o Lorenzo, por mais esquentado que fosse, sempre falava com ela de um jeito tão carinhoso. Só que a família Frota nunca aceitou a Nanda e obrigou o Lorenzo a terminar. Para não abrir mão dela, ele foi capaz até de sair de casa. Foram anos vendo ele tentando ser um cara melhor por causa dela, sempre se dedicando, mudando de verdade. Eu sentia inveja, até um pouco de ciúme, mas jamais quis me meter. Então, mesmo sabendo que nossas famílias tinham combinado um casamento entre a gente, eu estava disposta a abrir mão, de verdade, só para eles serem felizes. Só nunca imaginei que um dia o pessoal da família Frota me chamaria para dizer que Lorenzo e Nanda tinham terminado.

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