— Augusto, eu não aguento mais. Sério, a Leonor é completamente maluca!
— Pois é, dessa vez foi tudo culpa dela. A gente só veio aqui numa boa e ela descontou tudo em cima da gente. Olha só como ficamos!
— Já passou da hora de contar a verdade. A Leonor sempre morre de inveja da Margarida, e como não conseguia se comparar, fazia a gente infernizar a vida dela para tentar se sentir melhor. Mas cá entre nós, se ela não fosse da família Almeida, quem ligaria para as ordens dela? A gente nunca teria feito nada disso por conta própria.
— Augusto, você é tão íntegro, vive fazendo tudo certo, e tem que aturar uma mulher dessas do seu lado? Coitado de você, de verdade.
...
Um grupinho de mulheres fofocava baixinho, as vozes soando estranhamente familiares aos ouvidos da Margarida.
Ela, que antes estava distraída perdida em pensamentos encostada no corrimão, se assustou ao ouvir seu nome sendo citado e logo foi atrás para entender do que se tratava.
Ali na esquina, bem na frente, encontrou as mesmas socialites que costumavam seguir a Leonor por todo canto, acompanhadas do Augusto, que observava tudo de longe, com uma expressão impossível de decifrar.
Óbvio que ninguém ali esperava cruzar com a Margarida no hospital.
Ao ouvir passos, o grupo se virou ao mesmo tempo, e, por alguns segundos, todas ficaram paradas, sem reação.
Margarida arqueou as sobrancelhas, caminhando mais perto e encarou uma por uma, parando o olhar demoradamente em cada rosto.
— O que houve com vocês? Tem tanta gente aqui, mas todas parecem que passaram por uma tempestade. O que aconteceu?
Só então percebeu que aquelas garotas, que antes estavam sempre arrumadas e cheias de pose, estavam agora com roupas amassadas e o visual desfeito.
A ruiva tentou se recompor primeiro, gaguejando:
— Margarida, você ficou ouvindo a nossa conversa escondido? Isso é muita falta de educação!
— Falta de educação? Olha quem fala. Vocês estavam berrando tanto que, se não fosse minha, todo mundo do corredor teria ouvido a mesma coisa. Já que querem tanto falar de mim, que pelo menos não fiquem indignadas quando escutam de volta. — Respondeu Margarida, sem perder a calma. — Para falar a verdade, se eu não tivesse escutado tudo hoje, jamais imaginaria que uma pessoa podia ter tantas caras diferentes.
O que era verdade. Porque, enquanto aquela ruiva seguia Leonor para todo lado, vivia destratando a própria Margarida. Desde o primeiro dia no corredor do hotel, ela fez questão de deixar claro que Margarida nunca se compararia à Leonor, chegou a dizer que, mesmo se quebrasse as pernas de tanto correr, não conseguiria alcançar o nível dela.
Mas agora, a coisa tinha virado completamente. A mesma garota estava dizendo que Leonor tinha era inveja da Margarida, que nunca se igualaria a ela.
Margarida não conteve o riso diante daquele "elogio" tão sincero, se sentindo até um pouco "comovida".

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